A importância dos transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical, 30 anos de resultados positivos
15/05/2019 16:01:35
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A importância dos transplantes com células estaminais do sangue do cordão umbilical, 30 anos de resultados positivos

A evolução e os benefícios dos transplantes de sangue do cordão umbilical são cada vez mais evidentes. Quem o afirma é a Dr.ª Joanne Kurtzberg, hematologista e especialista em oncologia pediátrica da Duke University School of Medicine, Estados Unidos da América, que garante estar consolidado o conhecimento do potencial do transplante de sangue do cordão umbilical no tratamento de doenças do foro sanguíneo, bem como em aplicações inovadoras em crianças com paralisia cerebral ou doenças do espectro do autismo.

 

A Dr.ª Joanne Kurtzberg esteve em Portugal para participar na Reunião da Primavera da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal (SPOMMF), onde palestrou no simpósio “Extending Cord Blood to Regenerative Therapies for the Brain”, partilhando com os especialistas portugueses o resultado de 30 anos de investigação nesta área. O evento decorreu nos dias 12 e 13 de abril, em Lisboa.

A hematologista explicou que o transplante de sangue do cordão umbilical não só tem demonstrado ser eficaz, como apresenta vantagens relativamente à transplantação com medula óssea. Exemplo disso é a compatibilidade entre doador e recetor, uma vez que não precisa de ser tão elevada, quando comparada com os níveis necessários num transplante de medula óssea. Neste sentido, o procedimento torna-se uma solução para os doentes que não encontrem dadores compatíveis. Para além disto, a especialista refere que o procedimento causa menos complicações, como a doença do enxerto contra o hospedeiro.

“A leucemia, doenças genéticas como imunodeficiência e falha da medula óssea, anemia falciforme e talassemia e doenças metabólicas” são algumas das doenças que o sangue do cordão umbilical tem sido usado como tratamento. Para além dessas, juntam-se ainda “lesões cerebrais, o acidente vascular cerebral (AVC), a paralisia cerebral e autismo”, explicou. No caso da leucemia, o sangue do cordão umbilical dá “melhor proteção aos doentes em relação a uma possível recaída”, esclareceu a especialista, lembrando uma vez mais que a probabilidade é menor quando comparada com os doentes a quem foi doada a medula óssea. 

De acordo a especialista norte-americana, o sangue do cordão umbilical pode ser usado para outros efeitos ainda não descobertos, acrescentando que as células estaminais do sangue já mostraram “potencial na criação de produtos de terapia celular para fortalecer o sistema imunitário, no combate ao cancro”. Neste sentido, a especialista distinguiu os vários compostos pelas várias potencialidades. As células CAR-T, por exemplo, são já utilizadas no “tratamento de cancro”, “os monócitos ajudam o cérebro”, “o plasma tem muitas citocinas e outras moléculas que podem ser usadas terapeuticamente”, “os eritrócitos podem ser usados para transfusão”. Para além disso, a especialista realçou o facto de as “células dos recém nascidos  terem mais potencialidades do que as células dos adultos”. 

Em 1988, a Dr.ª Joanne Kurtzberg fez parte da equipa que realizou o primeiro transplante com células estaminais provenientes do sangue do cordão umbilical, em França. O tratamento salvou uma criança norte-americana de cinco anos, Matthew Farrow, com anemia de Fanconi, uma doença do sangue rara e fatal. Passados 30 anos, com 45 mil transplantes realizados  e com eficácia demonstrada no tratamento de 80 doenças raras, este é apenas um início, sendo que a especialista assegura que o “sangue do cordão umbilical tem potencial para ser usado para efeitos ainda não descobertos”, pelo que apela a que os Profissionais de Saúde recomendem a criopreservação das células estaminais do cordão umbilical, quer em bancos públicos quer em bancos para utilização familiar, pois trata-se de um bem com um potencial terapêutico inestimável que não deve ser desperdiçado.

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