As raízes da obesidade em Portugal são cada vez mais profundas, alerta SPEO
04/03/2020 15:48:34
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As raízes da obesidade em Portugal são cada vez mais profundas, alerta SPEO

A partir de 2020, o Dia Mundial da Obesidade passa a comemorar-se no dia 4 de março. Este ano, a efeméride tem como mote “As Raízes da Obesidade são Profundas”. A Sociedade Portuguesa Para o Estudo da Obesidade (SPEO) subscreve o alerta e reforça que “em Portugal as raízes da obesidade tendem a aprofundar-se e é urgente cortá-las”.

 

De acordo com um estudo do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) divulgado no início deste mês, mais de metade (62%) dos portugueses são obesos ou pré-obesos. Segundo a SPEO, estes números tendem a aumentar de ano para a ano, confirmando a preocupação dos especialistas.

“Sabemos que o Ministério da Saúde fez um esforço para aumentar o número das consultas e cirurgias de obesidade. Apesar de meritório, não é suficiente”, esclarece a Prof.ª Doutora Paula Freitas, presidente da SPEO.

“É urgente prevenir e estabelecer uma estratégia de combate à obesidade que dê frutos até ao final desta década que agora iniciamos”, acrescenta a responsável.

A Prof.º Doutora Paula Freitas deixa exemplos concretos: “Ainda há muito espaço para se melhorar no acompanhamento destes doentes. É preciso um diagnóstico mais atempado e reencaminhamento dentro do sistema de saúde, apostar na promoção de uma melhor educação para a saúde e promoção correta da perda de peso. Existe também a necessidade de uma reestruturação dos programas de tratamento existentes no nosso país. Há que dotar os profissionais de saúde dos Cuidados de Saúde Primários de conhecimentos sobre o tratamento global da obesidade, mas também de meios físicos e económicos”.

“Nos cuidados hospitalares é preciso aumentar o número de consultas para doentes com obesidade sem critérios para cirurgia de obesidade. E para que estas consultas tenham maior sucesso é necessário comparticipar os fármacos para o tratamento médico da obesidade, já que atualmente existe uma muito baixa acessibilidade, nomeadamente nas populações economicamente mais desfavorecidas, que são aquelas que têm uma maior prevalência de obesidade”, reforça a especialista.

A SPEO defende ainda a necessidade de a obesidade passar a ser tratada como a doença que é. A presidente salienta que, “se as outras doenças metabólicas, cardiovasculares e até neoplásicas associadas à obesidade são tratadas no Sistema Nacional de Saúde (SNS), sendo os fármacos para o seu tratamento comparticipados, porque é que o os fármacos para a obesidade não o são? É incompreensível. Estamos a negar o tratamento de uma doença numa fase precoce, mas, posteriormente comparticipa-se o tratamento das múltiplas doenças associadas? Até do ponto de vista meramente económico consideramos que faz sentido apostar no tratamento numa fase inicial quando as complicações ainda não se instalaram”.

E acrescenta: “Dado que, em Portugal a prevalência de obesidade na população adulta tem vindo a aumentar e uma vez que o nosso país foi um dos primeiros a reconhecer a obesidade como uma doença, a SPEO gostaria de ver a obesidade a ser tratada como a patologia grave que é”, conclui a Prof.ª Doutora Paula Freitas.

Entre 2020 e 2050, o excesso de peso e as doenças associadas vão reduzir a esperança de vida em cerca de três anos na média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e da União Europeia (UE) a 28. Em Portugal, a estimativa aponta para uma redução de 2,2 anos nesse período, de acordo com o relatório The Heavy Burden of Obesity: The Economics of Prevention, divulgado recentemente.

A obesidade tem um enorme impacto na saúde, estando associada a mais de 200 outras doenças, como diabetes, dislipidemia, hipertensão arterial, apneia do sono, síndrome metabólica, doenças cardiovasculares, incontinência urinária, e cerca de 13 tipos de cancros, sendo ainda responsável por alterações musculoesqueléticas, infertilidade, depressão, diminuição da qualidade de vida e mortalidade aumentada, o que faz com que represente também um grande encargo do ponto de vista económico, pelos seus custos diretos e indiretos. Esta doença complexa e multifatorial é um dos principais problemas do século XXI, tendo já atingido proporções epidémicas.


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