Estudo mostra as potencialidades da nanotecnologia na avaliação de doentes cardiovasculares
19/05/2016 15:59:02
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Estudo mostra as potencialidades da nanotecnologia na avaliação de doentes cardiovasculares

Um grupo de investigadores do Instituto de Medicina Molecular (iMM Lisboa) publicou um artigo na prestigiada revista Nature Nanotechnology sobre a ligação entre a nanotecnologia (uma tecnologia que manipula partículas um milhão de vezes mais pequenas que um milímetro) e a identificação de problemas cardiovasculares.

Atualmente, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte a nível mundial, representando cerca de um terço do total de óbitos. Os biomarcadores para a avaliação do risco cardiovascular têm ainda uma aplicabilidade limitada. Elevados níveis de uma proteína do plasma sanguíneo (o fibrinogénio), preponderante no processo de coagulação, têm sido identificados como um potencial fator de risco desta doença.

Neste estudo coordenado pelo Prof. Doutor Nuno Santos, os investigadores do iMM Lisboa, em colaboração com clínicos do Departamento de Cardiologia do Hospital Pulido Valente (Centro Hospitalar Lisboa Norte), avaliaram a interação entre o fibrinogénio e os glóbulos vermelhos de doentes com insuficiência cardíaca crónica, percebendo o modo como o fibrinogénio influencia a agregação destas células.

Utilizando uma técnica do domínio da nanotecnologia, a microscopia de força atómica (AFM), os investigadores conseguiram usar uma única molécula de fibrinogénio como “isco” para “pescar” o seu recetor na superfície da célula sanguínea. Verificou-se assim que a força necessária para quebrar esta ligação entre fibrinogénio e o glóbulo vermelho é mais elevada em doentes com insuficiência cardíaca crónica que em dadores saudáveis. Os glóbulos vermelhos destes doentes apresentaram também alterações na sua elasticidade e no comportamento em circulação.

Posteriormente, durante um ano de acompanhamento clínico destes doentes, verificou-se que os aqueles em que inicialmente foi necessária uma maior força para libertar o “isco” (fibrinogénio) do glóbulo vermelho, tiveram uma maior probabilidade de ser hospitalizados devido a complicações cardiovasculares nos 12 meses seguintes.

Este estudo demonstra a potencialidade da microscopia de força atómica na identificação dos doentes com mais elevado risco de doença cardiovascular, revelando-se um avanço importante na área da Nanomedicina, com aplicabilidade em Cardiologia, ao nível do prognóstico clínico.


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