Mulheres alcançam menos cargos de topo em Cardiologia, revela estudo
02/12/2020 16:47:54
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Mulheres alcançam menos cargos de topo em Cardiologia, revela estudo

Dados estatísticos disponíveis em Portugal revelam que em cerca de 20 anos (2000/2019) ocorreu um aumento de 194% de jovens do sexo feminino matriculadas nas faculdades de Medicina e de 111% de jovens do sexo masculino, sempre com predomínio do sexo feminino, pelo menos desde 1991. Estes dados fazem parte do estudo “Ainda persiste um gap de género na investigação cardiológica nacional? Uma revisão de dados da Revista Portuguesa de Cardiologia”, da Prof.ª Doutora Ana Teresa Timóteo, do Serviço de Cardiologia do Hospital Santa Marta e da NOVA Medical School, em Lisboa.

 

De acordo com o estudo, as diferenças de género são menos significativas em Portugal comparativamente com dados europeus no que toca a investigação científica, com cerca de 50% das primeiras autorias dos artigos originais publicados na Revista Portuguesa de Cardiologia por mulheres. Contudo, relativamente à posição sénior das autorias, os dados mostram-se muito mais desfavoráveis comparativamente com as outras revistas, traduzindo o conhecido efeito de glass ceiling, com números reduzidos de mulheres em cargos de topo na Medicina cardiovascular em Portugal.

Para a Prof.ª Doutora Ana Teresa Timóteo, também secretária-geral da Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), a solução passa por uma mudança de política organizacional, mas também de uma modificação da perceção do papel da mulher na Medicina, já que este fenómeno “é suportado por estereótipos conscientes ou inconscientes de incompatibilidade entre vida pessoal/familiar e profissional, falta de políticas organizacionais de apoio ao balanço entre o esforço profissional e pessoal, falta de mentores ou role models para as mulheres com interesse em progressão na carreira e uma escassez de conexões que facilitem esse acesso a mulheres”, acrescenta a SPC.

Assim, é possível apontar fatores socioeconómicos, culturais, religiosos, ambientais, entre outros, que condicionaram durante décadas o acesso das mulheres a muitas áreas profissionais e a cargos de responsabilidade, situação que tem sido progressivamente alterada nos últimos anos, nos países desenvolvidos.

Uma análise prévia internacional de dados dos últimos 20 anos encontrou apenas 16,5% e 9,1% de mulheres como primeira autora e autora sénior, respetivamente. Em 2016, último ano analisado, verificou-se que 21% eram primeiras autoras e 12% eram sénior, valores substancialmente inferiores quando comparados com jornais de elevado fator de impacto em outras áreas da Medicina. Durante o período de análise, confirmou-se a tendência crescente nas autorias femininas, com incremento de 9,5% e 6,6%.

“Quando comparado com o global das revistas internacionais, temos valores muito mais expressivos na Revista Portuguesa de Cardiologia de mulheres em artigos originais e de revisão, sobretudo no respeitante à primeira autoria. Estes resultados mostram claramente uma maior representatividade feminina na Cardiologia portuguesa. Mesmo comparativamente com as revistas com base europeia, a melhor representatividade em Portugal é notória”, conclui a SPC.


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