SPG destaca importância do diagnóstico precoce do cancro do pâncreas
19/11/2020 16:17:44
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SPG destaca importância do diagnóstico precoce do cancro do pâncreas

No Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, assinalado hoje, dia 19 de novembro, o Clube Português do Pâncreas, secção da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), alerta para a importância do diagnóstico precoce da sétima neoplasia que mais mata no mundo.

 

“A perspetiva devastadora para o cancro do pâncreas enfatiza a necessidade de novas estratégias para o prevenir e diagnosticar. Estudos indicam que a doença pode estar presente no pâncreas por muitos anos antes de se manifestar, proporcionando uma oportunidade para a deteção precoce”, refere a entidade.

Os sintomas desta patologia são difíceis de identificar e geralmente são vagos e inespecíficos, dificultando o reconhecimento e o diagnóstico precoce da doença, que se pode manifestar por dor na região superior do abdómen com irradiação para as costas. Ainda assim, a cor amarelada da pele e urina turva são os sintomas mais frequentes nos tumores da cabeça do pâncreas. Outros sintomas, menos frequentes, incluem a comichão, indigestão, alteração dos hábitos intestinais, perda de peso inexplicável, depressão, perda de apetite, fenómenos de trombose vascular ou diabetes de diagnóstico recente.

De acordo com o Clube Português do Pâncreas, “estima-se que dois terços dos principais fatores de risco associados ao cancro do pâncreas sejam potencialmente modificáveis, sendo esta uma oportunidade para a prevenção da doença. O tabagismo está relacionado com 20% de todos os cancros do pâncreas e causa um aumento de 75% em comparação com não fumadores”.

Sobre os fatores de risco, esta secção da SPG acrescenta: “A obesidade contribui também para pior prognóstico e taxas de sobrevida. O consumo excessivo de álcool de está associado ao cancro do pâncreas, nomeadamente se associado à pancreatite crónica. Os doentes com pancreatite crónica, especialmente aqueles que têm pancreatite hereditária, têm um risco aumentado de desenvolver cancro do pâncreas”, sustenta.

O diagnóstico é frequentemente tardio, já que os sintomas surgem num estadio avançado da doença. Quando já há sintomas, a realização de uma ecografia abdominal é quase sempre suficiente para a suspeita diagnóstica do cancro. Ainda assim, a realização de tomografia computorizada, ressonância magnética e/ou ecoendoscopia são habitualmente necessários na confirmação do diagnóstico e estadiamento do tumor. À data do diagnóstico, apenas 20% são candidatos cirúrgicos, e, mesmo nestes, a sobrevivência aos cinco anos é de apenas 30%.

Geralmente, o tratamento envolve “a realização de quimioterapia isoladamente ou em associação com a radioterapia nos doentes que não são candidatos cirúrgicos. O tratamento de quimioterapia, realizado inicialmente com objetivo de reduzir o tamanho dos tumores antes da cirurgia, é atualmente a opção de eleição nos casos potencialmente operáveis”, acrescenta a entidade.

“Nos últimos anos temos assistido a importantes progressos da investigação no sentido de encontrar biomarcadores moleculares que permitam uma terapêutica dirigida a novos alvos e desta forma possam ter impacto no prognóstico da doença. No futuro, uma maior compreensão do papel do microbioma, dos biomarcadores de risco aumentado e de possíveis novos alvos terapêuticos e imunoterapia contra o cancro, aproxima a promessa da medicina personalizada e a esperança de melhores resultados no tratamento”, conclui.


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