Novo biomarcador permite diagnóstico de cancro da mama HER2+ em fase inicial
03/11/2020 15:58:31
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Novo biomarcador permite diagnóstico de cancro da mama HER2+ em fase inicial

Investigadores do Hospital Clínic-IDIBAPS de Barcelona desenvolveram um biomarcador que integra variáveis clínicas de doentes, informações sobre o tumor e dados genómicos para diagnosticar mulheres com cancro da mama HERS2+ em fase inicial, foi hoje divulgado.

 

O estudo, publicado na revista Lancet Oncology, contou com a colaboração da Universidade de Pádua e demonstra a capacidade de um diagnóstico precoce desta nova ferramenta, com o nome HERD2DX, testada com dados de 702 doentes com cancro da mama HER2+ recentemente diagnosticado.

A investigação foi coordenada pelo Prof. Doutor Aleix Prat, chefe do Serviço de Oncologia Médica daquele hospital e professor da Universidade de Barcelona, ​​bem como pelo professor de Cirurgia, Oncologia e Gastroenterologia da Universidade de Pádua e investigador do Istituto Oncologico Veneto (IOV), o Prof. Doutor Pierfranco Conte.

O cancro da mama HER2+ é responsável por 20% dos tumores da mama e, quando a doença está numa fase inicial, o tratamento local, a quimioterapia e o tratamento anti-HER2 com trastuzumabe durante um ano têm demonstrado grandes benefícios para a taxa de sobrevivência a longo prazo. No entanto, entre 20 a 30% dos doentes acabam por apresentar a doença numa fase avançada.

Nos últimos anos, novas estratégias terapêuticas foram incorporadas para combater a doença numa fase inicial, como novos medicamentos anti-HER2 pertuzumabe, T-DM1 e neratinibe.

“Existem doentes que ficam curados com o tratamento padrão à base de quimioterapia e trastuzumabe, e não precisam de tratamento adicional. Também existem aqueles que precisam de tratamentos adicionais porque têm um alto risco de desenvolver a doença avançada nos próximos anos, mas infelizmente não temos ferramentas para saber quem é quem na hora do diagnóstico e, por isso, estamos a tratar demais e a ‘subtratar’ muitos doentes”, explicou o Prof. Doutor Aleix Prat.

Nos últimos cinco anos, a investigação tem-se debruçado sobre a heterogeneidade biológica da doença HER2+, identificando vários grupos moleculares com diferentes sensibilidades aos tratamentos.

O novo biomarcador combina 17 variáveis ​​clínicas, patológicas e genómicas, com as quais prevê o prognóstico de doentes com cancro da mama HER2+ numa fase inicial.

“A pergunta que colocamos a nós próprios era como poderíamos usar todo esse conhecimento para ter impacto na prática clínica. Ao integrar vários dados de 702 doentes acompanhados por muitos anos, temos agora uma ferramenta inovadora que prevê a sobrevivência e permite individualizar o tratamento em cada doente”, acrescentou.

Nos testes realizados, os investigadores demonstraram que o biomarcador tem a capacidade de identificar uma proporção significativa de utentes com a doença HER2+ numa fase inicial que não precisam de terapias adicionais para além do tratamento padrão, e um grupo de doentes com alto risco de desenvolver uma recorrência e que obriga a mais tratamentos que o normal.

Os especialistas procuram agora perceber se o biomarcador permite também ajudar a diminuir o tratamento padrão e se é capaz de encurtar a duração do trastuzumabe ou a quantidade de quimioterapia necessária, ou até identificar os utentes que não irão precisar de quimioterapia.

Fonte: Lusa


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