Grupo no setor da saúde aponta medidas para diminuir impacto da insuficiência cardíaca
12/10/2020 17:32:23
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Grupo no setor da saúde aponta medidas para diminuir impacto da insuficiência cardíaca

Medidas propostas visam a criação de uma resposta coerente para a gestão da insuficiência cardíaca em Portugal, otimizando custos que podem ajudar o Serviço Nacional de Saúde em caso de agravamento da pandemia de COVID-19.

Um grupo multidisciplinar no setor da saúde, onde se incluem deputados, ex-ministros, representantes de entidades reguladoras, profissionais de saúde, doentes e associações do setor, apresentou uma proposta para melhorar a gestão da insuficiência cardíaca (IC) em Portugal.

Os autores alertam para uma maior urgência na necessidade de implementação de iniciativas baseadas na evidência e custo-efetivas no sentido de limitar a carga pessoal e os gastos com hospitalizações, muitas vezes evitáveis e frequentemente observadas na IC.

Este documento de consenso teve a coordenação científica da Heart Failure Policy Network (HFPN), rede europeia que pretende consciencializar para as necessidades dos doentes com insuficiência cardíaca e seguiu o “Método do Consenso”, desenvolvido pelo Instituto de Saúde Pública da Universidade Católica Portuguesa. A iniciativa contou com o apoio da Novartis e da Medtronic.

De entre as medidas apresentadas no documento, destaca-se a necessidade de criação de um Plano Assistencial Integrado em IC que deverá contar com uma rede de referenciação entre cuidados de saúde primários (centros de saúde, USFs, ACES) e secundários (hospitais). Esta rede deve ter critérios de acesso claros, permitindo uma distribuição adequada entre as complexidades de cada pessoa com IC e as competências dos diferentes níveis de cuidados.

O grupo propõe ainda a uniformização de critérios e a partilha de informação entre os diferentes níveis de cuidados, o que permitirá o desenvolvimento de um registo uniforme e robusto em insuficiência cardíaca. É também proposto que os cuidados sejam monitorizados e avaliados, através da criação de um painel de indicadores comum entre os vários níveis de cuidados.

“A elaboração do consenso reuniu elementos dos diferentes quadrantes da área da saúde, o que permitiu a criação de um documento que procura dar resposta a todas as necessidades não atendidas das pessoas que vivem com IC e seus cuidadores. O envolvimento de diferentes atores e entidades decisoras neste projeto reflete a preocupação real em torno da IC e reforça a necessidade urgente de implementar uma estratégia integrada e coerente, capaz de reverter o panorama da síndrome em Portugal e ajudar as pessoas que vivem com IC, que são muitas vezes esquecidas”, revela a Prof. Doutora Sara Correia Marques, representante da HFPN, entidade responsável pela coordenação científica do documento.

O Dr. Pedro Marques, cardiologista no Hospital de Santa Maria, afirma que a situação da IC em Portugal exige uma “atuação urgente com especial destaque para os profissionais de saúde que devem atuar em equipas multidisciplinares e integradas, de modo a que exista uma resposta mais célere e concertada entre os diferentes níveis de cuidados. É fundamental que os bons exemplos que temos nesta área não sejam exceções, mas sim a regra”.

De acordo com o Dr. José Silva Cardoso, coordenador do Grupo de Estudo de Insuficiência Cardíaca, da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, “considerando o aumento da prevalência da Insuficiência Cardíaca em Portugal é indispensável torná-la uma prioridade do Serviço Nacional de Saúde, de modo a prepará-lo para esta área ao nível clínico, organizativo e financeiro. Só assim será possível garantir aos doentes um melhor prognóstico e uma melhor qualidade de vida. Simultaneamente, é imprescindível informar a opinião pública e os doentes, de modo que estejam mais conscientes e despertos para a patologia”.

“As medidas propostas neste documento vêm dar uma resposta coerente às necessidades impostas pela doença. Nesta fase de pandemia em que se tornou claro que, a qualquer momento, uma doença infeciosa pode monopolizar o SNS, a implementação de uma estratégia para lidar eficazmente com a IC é imprescindível”, afirma ainda o Dr. Luís Filipe Pereira, presidente da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca (AADIC) e ex-ministro da Saúde.

O “Consenso Estratégico para a Insuficiência Cardíaca em Portugal” resulta de um trabalho conjunto de um grupo multidisciplinar constituído por médicos de Cardiologia, Medicina Interna e Medicina Geral e Familiar, representantes de sociedades científicas, enfermeiros, farmacêuticos, representantes da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca (AADIC), especialistas em Saúde Pública, membros de serviços do Ministério da Saúde, decisores políticos, representantes de associações da indústria farmacêutica e de dispositivos médicos.


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