Cuidados de Saúde Primários: Norte tem menos de um fisioterapeuta por 100 mil habitantes
14/09/2020 15:27:56
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Cuidados de Saúde Primários: Norte tem menos de um fisioterapeuta por 100 mil habitantes

A Associação Portuguesa de Fisioterapeutas (APFisio) assinalou o Dia Mundial da Fisioterapia, a 8 de setembro, com um alerta para a necessidade urgente de um forte investimento em profissionais de fisioterapia, nos Cuidados de Saúde Primários. Em Portugal, cerca de 30% dos Agrupamentos de Centros de Saúde não tem fisioterapeutas, sendo a Região de Lisboa e Vale do Tejo e a Região Norte as que apresentam valores mais baixos.

No entanto, esta insuficiência de profissionais de fisioterapia afetos ao serviço público não se verifica apenas nos Cuidados de Saúde Primários, tal como afirma o presidente da APFisio, Adérito Seixas. Acrescenta ainda que “De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, existem apenas 906 fisioterapeutas nos hospitais públicos. No global, considerando os hospitais públicos e os Cuidados de Saúde Primários, o número de fisioterapeutas no sistema de saúde público é pouco superior a mil. Vemos estes números com muita apreensão. É uma situação muito grave e que requer correção urgente”.

Um outro fator que dificulta a profissão de fisioterapeuta prende-se com a acessibilidade do cidadão aos cuidados de fisioterapia.

“O Estado investe na formação de elevada qualidade dos fisioterapeutas, mas ao mesmo tempo apresenta grande inércia na criação de condições que garantam o acesso do cidadão aos cuidados destes profissionais. Estamos a falar de profissionais autónomos, com autonomia consagrada na Lei, habilitados para serem profissionais de primeiro contacto, mas o Estado, através de várias disposições normativas, força o contribuinte a pagar consultas médicas adicionais antes de poder aceder aos cuidados de fisioterapia”, alerta Adérito Seixas, sublinhando que “esta é a realidade, tanto nos Cuidados de Saúde Primários como nos Cuidados Hospitalares”.

O valor da esperança média de vida aumentou para um valor ligeiramente acima dos 81 anos, em Portugal. No entanto, a APFisio recorda que dados do EUROSTAT indicam que o número de anos vividos sem problemas de saúde moderados ou severos é de apenas 58,6 anos. Para agravar a situação, segundo a PORDATA, existem 157,4 pessoas por cada 100 jovens, perfazendo um total de 21,7% da população com mais de 65 anos. 

“Sabemos também que os problemas músculo-esqueléticos, de saúde mental, neurológicos, a diabetes, doenças respiratórias crónicas e doenças cardiovasculares são responsáveis por mais de 65% dos anos vividos com incapacidade na população portuguesa”, complementa Adérito Seixas, acrescentando que “será fácil de antecipar a elevada carga de doença atribuída às condições referidas previamente nesta população”.

Atendendo a que as condições crónicas de saúde e de multimorbilidade assumem cada vez maior relevância e impacto na vida das pessoas, das suas famílias e no sistema de saúde, e são responsáveis pelos anos de vida com incapacidade, o presidente da APFisio defende tratar-se de um indicador de saúde que “Portugal e os portugueses devem exigir ver melhorado, uma vez que essa melhoria depende das políticas de saúde assumidas pelos governantes”. Tendo por base relatórios internacionais, a APFisio acredita que os gastos de saúde poderiam ser entre 40 a 60% mais baixos se a tendência do aumento de esperança de vida fosse acompanhada pelo mesmo valor de melhoria da capacidade funcional.

Para combater esta situação, a APFisio acredita que é necessário promover uma adequada utilização dos recursos de fisioterapia, para obter ganhos em saúde nas pessoas com aquelas condições e ganhos de eficiência no SNS – redução de consultas médicas, redução de exames de diagnóstico, redução de procedimentos cirúrgicos, redução do absentismo laboral, retorno mais rápido à atividade e melhoria da participação social.

Em suma, o acesso aos cuidados de fisioterapia no SNS não é eficiente nem sustentável devido à insuficiência de profissionais de fisioterapia bem como à ineficácia do acesso dos utentes aos cuidados, o que prejudica tanto o SNS como o utente. O presidente da APFisio recorda ainda que “nos últimos anos, e de forma recorrente, a APFisio tem manifestado a sua preocupação e estratégias ao Ministério da Saúde, mas não temos observado uma alteração nas políticas de contratação de recursos humanos de fisioterapia”.


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