Idas às urgências de Psiquiatria caíram para metade durante o estado de emergência
24/08/2020 11:39:13
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Idas às urgências de Psiquiatria caíram para metade durante o estado de emergência

Investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e do Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde (CINTESIS) concluíram, com base num estudo na Urgência Metropolitana de Psiquiatria do Porto, que as idas às urgências caíram “para metade” durante o estado de emergência.

 

Durante o período do estado de emergência, decretado devido à COVID-19, a equipa de investigadores analisou as idas à Urgência Metropolitana de Psiquiatria do Porto que abrange “cerca de três milhões de habitantes”, tendo, posteriormente, descrito o impacto dos números e as características dos episódios de urgência.

Entre 19 de março e 2 de maio foram registados 780 episódios, comparativamente ao mesmo período de 2019, em que se registaram 1.633 idas às urgências psiquiátricas. 

“Percentualmente, houve uma diminuição de 52% no total de episódios”, refere a FMUP, acrescentando que a redução é mais acentuada entre os jovens e as mulheres, “embora estas últimas contabilizem a maioria dos episódios”.

Paralelamente, foram os doentes com perturbações do humor, como depressão, que apresentaram a “queda mais significativa”, com uma redução de episódios a rondar os 68%. Por outro lado, nos doentes com esquizofrenia ou outras perturbações psicóticas, a descida foi “de apenas 9%”.

A preocupação de não sobrecarregar os serviços de saúde, as limitações impostas pelo confinamento e o medo de ser infetado pelo SARS-CoV-2 foram algumas das razões apontadas pelos autores do estudo para esta diminuição.

O Dr. Manuel Gonçalves-Pinho, investigador da FMUP e do CINTESIS, afirma que a COVID-19 teve “um importante impacto”, quer no número, quer nas características das idas às urgências psiquiátricas, defendendo que as entidades competentes devem “olhar para a saúde mental como uma verdadeira prioridade”. 

“É necessário repensar o nosso modelo de urgência e de acesso aos cuidados de Saúde Mental”, defende.

Também o Dr. Pedro Mota, do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa, afirma que, apesar de as diminuições terem ocorrido “principalmente entre os doentes com situações clínicas consideradas não urgentes”, o impacto da COVID-19 “na saúde mental dos portugueses já é bem notório”. 

“Não só consequência direta da própria doença, mas também fruto das reformulações sociais e económicas que temos vindo a enfrentar”, salienta.

Os investigadores consideram que os idosos, os doentes com incapacidade intelectual e as pessoas em situação de desemprego são as de “maior vulnerabilidade”, alertando por isso, que a interrupção de determinados tratamentos em consequência do encerramento de alguns serviços “pode provocar maior destabilização em certos grupos de doentes”.

O estudo insere-se no projeto 1st.IndiQare, financiado pelo FEDER- Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através do COMPETE2020 e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que conta com a colaboração do Centro Hospitalar Tâmega e Sousa.

Fonte: Lusa


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