A incidência, prevalência e mortalidade do mieloma múltiplo em Portugal “vai continuar a aumentar”
23/07/2020 18:20:12
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A incidência, prevalência e mortalidade do mieloma múltiplo em Portugal “vai continuar a aumentar”

A incidência do mieloma múltiplo tem vindo a aumentar, não só em Portugal, mas também a nível mundial. Quem o diz é o Dr. Rui Bergantim, hematologista no Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) e membro do Grupo Português de Mieloma Múltiplo da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH), que, em conversa com a News Farma, adiantou algumas das conclusões do estudo apresentado no 25.º Congresso Europeu de Hematologia (EHA 2020), que decorreu entre os dias 11 e 21 de junho, em formato virtual. Assista ao vídeo.

O mieloma múltiplo é, neste momento, “o segundo cancro hematológico mais comum, e dados do Global Burden of Disease Study mostram que, por exemplo, em 2016, foram reportados mais de 138 mil novos casos de mieloma múltiplo a nível mundial e mais de 98 mil mortes”, começa por referir o especialista, acrescentando que é difícil obter dados específicos do contexto português devido à falta de um registo eficaz.

É nesse sentido que surge o estudo “Multiple myeloma in Portugal: incidence, prevalence, mortality and treatment pattern”, que teve como objetivo avaliar esses traços epidemiológicos e os padrões de tratamento do mieloma múltiplo em solo português.

“Para os dados epidemiológicos, tivemos em conta o número de doentes com mieloma múltiplo que geraram um episódio hospitalar e o número de doentes naïve com mieloma múltiplo que foram tratados em primeira linha. Para os dados de mortalidade, inferimos através do European Cancer Information System, de modo a tentarmos perceber qual seria a mortalidade em Portugal”, explicou o hematologista.

Já na segunda parte do trabalho, destinada às diferentes dinâmicas de tratamento, os investigadores avaliaram o consumo de fármacos ou regimes indicados para mieloma múltiplo em cada linha de tratamento, tendo em conta a sua duração e sequência de tratamento nas várias linhas terapêuticas.

De acordo com o Dr. Rui Bergantim, “Portugal tem uma incidência de mieloma múltiplo de 7.8 novos casos por cada 100 mil habitantes, com uma mediana de idades à volta dos 69 anos. Em 2018, conseguimos identificar 1941 doentes com mieloma múltiplo, o que deu uma prevalência de 18,9 casos por cada 100 mil habitantes”, revelou.

Além disso, a doença é mais frequente em homens (54%) e a maior parte dos utentes tem uma idade igual ou superior a 70 anos: “Na nossa população, só identificámos 9% da doença em pessoas com menos de 50 anos. A taxa de mortalidade encontrada foi de 6,9 mortes por cada 100 mil habitantes, sendo a idade mediana de morte à volta dos 75 anos”, complementa o médico.

Os investigadores concluíram que, no que toca os padrões de tratamento administrados nos últimos cinco anos, Portugal encontra-se no leque de países que utiliza os protocolos mais usados, baseados em bortezomib como primeira linha e lenalidomida em segunda ou linhas subsequentes de tratamento.

Outro padrão internacional verificado prende-se com a diminuição do número de doentes que é exposto a novos tratamentos a cada linha terapêutica, “o que significa que à medida que o mieloma múltiplo vai avançando, também vamos perdendo muitos doentes”, sublinha o Dr. Rui Bergantim.

“Quando analisámos o tempo entre o diagnóstico e a mortalidade dos doentes portugueses, verificámos que há um resultado de aproximadamente seis anos, que também está de acordo com alguns resultados a nível internacional”, adianta o especialista.

Ainda assim, o Dr. Rui Bergantim considera que o tempo de sobrevivência aumentará, na medida em que “já estamos a usar protocolos com resultados superiores àqueles que usávamos há cinco anos”.

O hematologista espera também que este estudo mostre a “nova evidência de informação de prevalência, incidência e mortalidade de doentes com mieloma múltiplo, que pode transparecer o panorama em termos de tratamento”, conclui.

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