“Os portugueses precisam que todos os cuidados de saúde se mantenham”, apela Convenção Nacional de Saúde
14/04/2020 16:00:00
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“Os portugueses precisam que todos os cuidados de saúde se mantenham”, apela Convenção Nacional de Saúde

A Convenção Nacional de Saúde lançou um ontem, dia 14 de abril, um apelo dirigido ao Governo e às autoridades de saúde de Portugal para a “necessidade urgente” de que todos os portugueses que necessitam de cuidados de saúde urgentes e imediatos não sejam esquecidos, perante a pandemia de COVID-19.

 

A entidade relembra que, antes do brotar da situação epidemiológica em que Portugal e o mundo se encontram, “havia 50 mil portugueses a aguardar cirurgias e mais de 240 mil portugueses a necessitar de consultas de especialidade hospitalar”.

Também antes do surto epidémico, o número de óbitos por outras doenças totalizava cerca de 113.573, em 2018, dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). As doenças do aparelho circulatório, as doenças cancerígenas, as doenças do aparelho respiratório, a diabetes e as perturbações mentais e de comportamento estão nas causas destas mortes, continua a organização.

“Se nada for feito para tratar e ajudar os doentes portadores destas doenças o cenário pós-pandemia terá consequências dramáticas para muitos doentes e suas famílias, terá um custo evitável em termos de sofrimento e vidas humanas e observaremos nova acentuada degradação do Sistema Nacional de Saúde”, sublinha a Convenção Nacional de Saúde, alertando para a quebra abrupta no diagnóstico, acompanhamento e tratamento de outras doenças durante o mês de março, que pode levar ao agravamento de diversas patologias.

E acrescenta: “A dimensão do problema atinge já proporções enormes e cidadãos, associações de doentes, médicos, enfermeiros, farmacêuticos e diversos académicos têm manifestado a sua apreensão. De facto, os episódios de emergência caíram 45%, a grande maioria das consultas externas e das cirurgias não urgentes foram adiadas. Houve uma redução de 95% dos exames de imagiologia e uma paragem quase total dos exames de Gastroenterologia e de Cardiologia”.

Citando a Ordem dos Médicos, a Convenção Nacional de Saúde alega que “não podemos permitir que as curvas de outras doenças aumentem, nomeadamente as doenças crónicas como as cardiovasculares, a diabetes ou doença oncológica, e muitas outras, e cuja resposta adequada e tratamento imediato não pode ser adiado” face à pandemia de COVID-19.

Além disso, a instituição apela a que os cidadãos portadores de doenças não sejam esquecidos e que o sistema de saúde assuma que “o que for adiado terá necessariamente efeitos muito negativos em termos de saúde no futuro”.

“Todas as vidas são importantes. Não podemos deixar que morram mais pessoas do que as que morrem por causa da COVID-19 por redução drástica e paragem assistencial, por necessidade imediata de canalizar meios para o combate à pandemia em detrimento da prevenção e diagnóstico atempado e das cirurgias necessárias a doentes. Essa opção tinha que ser feita, mas é tempo de ter um plano de recuperação da atividade”, reitera.

Nesse sentido, a Convenção Nacional de Saúde propõe a ativação de um plano de emergência para retoma da atividade assistencial a todos os cidadãos portadores de doenças cuja letalidade é elevada em Portugal.

“Tempos extraordinariamente difíceis exigem medidas extraordinárias e urgentes. Será muito importante que o sistema se adapte às necessidades e circunstâncias em que vivemos e, tal passa, por exemplo, pela generalização de teleconsultas sempre e quando tal for possível, bem como pela adoção de medidas que permitam que os cidadãos tenham acesso à medicação sem terem de se deslocar aos hospitais quando tal não for fundamental”, esclarece a entidade.

No que diz respeito à realização de exames de diagnósticos, cirurgias e outros atos clínicos que exijam o contacto presencial dos doentes com os profissionais de saúde, a Convenção Nacional de Saúde refere que o plano de emergência deve prever que todo o sistema de saúde, incluindo o SNS, privados e setor social, possa ser envolvido para garantir uma maior cobertura.

“Num momento dramático para os portugueses toda a capacidade do sistema de saúde nacional tem de estar ao serviço dos portugueses”, conclui.


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