Mais de 400 profissionais de saúde assinam petição pela despenalização da eutanásia
12/02/2020 15:00:06
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Mais de 400 profissionais de saúde assinam petição pela despenalização da eutanásia

Mais de 400 profissionais de saúde assinaram a petição pública pela despenalização da morte assistida, lançada pelo Movimento Cívico Direito a Morrer com Dignidade. Os dados foram anunciados nesta terça-feira, dia 11 de fevereiro.

 

Criada no início de janeiro, a petição “Profissionais de saúde apelam à despenalização da morte assistida” já contava com a assinatura de 492 médicos e enfermeiros, por volta das 13h15 de ontem. Neste momento, a página web da petição encontra-se em baixo.

Entre as personalidades que mostraram o seu apoio à causa estão os Profs. Doutores Manuel Sobrinho Simões, Francisco George, Constantino Sakellarides, Júlio Machado Vaz e Joaquim Machado Caetano. Há quatro anos que o movimento lançou a petição que deu início ao debate no país quanto à despenalização da eutanásia, tema que regressa ao parlamento no dia 20 deste mês.

Destinada aos profissionais de saúde, a petição defende a definição de uma lei que estabeleça “com rigor as condições em que ela possa vir a verificar-se sem penalização dos profissionais de saúde”.

“Recusamos manter ou iniciar tratamentos inúteis e sabemos as situações em que a boa prática é deixar morrer. Conhecemos as vantagens dos Cuidados Paliativos, mas também os seus limites. E conhecemos, ainda, as situações em que respeitar a vontade e o sentido do doente, e o seu direito constitucional à autodeterminação, significam aceitar e praticar a antecipação da sua morte, face a um pedido informado, consciente e reiterado, não fosse a lei considerar como crime essa atitude exclusivamente movida pela compaixão humanista”, pode ler-se no documento.

O Dr. Bruno Maia, um dos coordenadores do movimento, disse em declarações à Lusa que os peticionários “não só defendem o direito de a pessoa decidir como mostra que os profissionais de saúde não estão unanimemente do outro lado como muitas pessoas querem fazer crer”, sublinhando que a maioria dos médicos é a favor da despenalização da morte assistida, algo corroborado pela forte adesão ao movimento.

Para o especialista, a eutanásia é um tema sobre o qual a sociedade “está mais do que esclarecida”, considerando o argumento de que as pessoas não conhecem bem os conceitos como “o argumento de quem quer manter tudo como está”.

“As pessoas procuram informação, debatem, sentem na pele” porque, elas ou familiares, já passaram por situações em que colocaram “a questão de antecipar a sua morte”, realça.

Quanto ao debate agendado para dia 20, o Dr. Bruno Maia espera que a lei possa agora avançar, considerando que os partidos contra a despenalização tiveram “votações muito baixas” nas últimas eleições, não tendo “expressão suficiente” na Assembleia para impedir a lei: “Se a lei não é aprovada há uma traição democrática”, reforça.

Em 2018, o parlamento levou a debate e chumbou os projetos de despenalização da morte assistida do PS, BE, PAN e PEV. Os partidos defensores reapresentam, nesta legislatura, as suas propostas.

 

Fonte: Lusa


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