Investigadores portugueses promovem terapia de regeneração de lesões da medula
11/02/2020 16:39:03
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Investigadores portugueses promovem terapia de regeneração de lesões da medula

Uma versão modificada da proteína Profilina-1 (Pfn1) estimula a regeneração de neurónios no sistema nervoso central após uma lesão ou trauma. A descoberta foi feita por um grupo de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, que publicou recentemente o artigo na revista científica The Journal of Clinical Investigation.

 

“Como se trata de uma proteína que já é naturalmente expressa no nosso organismo, não corremos o risco de uma rejeição. O que vamos fazer é com que os neurónios produzam maior quantidades desta proteína na sua forma ativa. Além disso, o veículo que vamos usar para administrar a proteína modificada também já é usado no tratamento de outras doenças do sistema nervoso (cegueira hereditária e atrofia muscular espinal) e em múltiplos ensaios clínicos para outras patologias”, começa por explicar a Prof. Doutora Rita Costa, primeira autora do estudo.

Apesar de todos os progressos no que toca os procedimentos médicos, cirúrgicos e de reabilitação, não existem tratamentos eficazes para a recuperação neurológica em caso de lesão medular, levando à incapacidade permanente dos doentes. Os investigadores do i3S demonstraram que a Pfn1, a proteína que regula a dinâmica do esqueleto celular, quando expressada nos neurónios numa quantidade muito elevada, promove o crescimento duplicado do axónio, algo que nenhuma outra molécula ou medicamento tinha alcançado.

A investigadora salienta que se trata de uma terapia que não influencia as outras células, tendo como objetivo único fazer crescer os neurónios, que sem “são incapazes” de se regenerarem sozinhos.

Para além disso, trata-se de uma terapia abrangente, podendo ser “testada noutros casos em que a integridade neuronal está comprometida, como neuropatias periféricas: danos nos neurónios que inervam os músculos das cordas vocais, disfunção erétil resultante de intervenções cirúrgicas, e neuropatias resultantes de efeito secundário da quimioterapia, etc”, revela a Prof. Doutora Rita Costa.

De acordo com a Prof. Doutora Mónica Sousa, líder da investigação e última autora do trabalho, o próximo passo “é testar esta terapia em dois estadios pós-traumáticos. Numa fase inicial após a lesão e numa fase mais tardia, mais crónica, sabendo nós que, neste último caso, a regeneração dos neurónios é mais difícil”, conclui.

O estudo está em desenvolvimento há mais de quatro anos, no grupo Nerve Regeneration do i3S. Durante o processo de investigação, o trabalho foi premiado pelo programa Resolve, pelo Fundo Morton Cure Paralysis e ainda com o Prémio Inovação Bluepharma/Universidade de Coimbra 2017.

 

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