Médicos dispensam em média nove minutos por doente nos Cuidados Paliativos
16/01/2020 14:37:31
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Médicos dispensam em média nove minutos por doente nos Cuidados Paliativos

Um médico num Serviço de Cuidados Paliativos tem apenas entre um a nove minutos por doente. A situação agrava-se com os psicólogos e assistentes sociais, que dispõem de apenas um a dois minutos. Os dados foram revelados no mais recente relatório do Observatório Português dos Cuidados Paliativos (OPCP), divulgado esta quarta-feira.

 

O documento revela que a média dos tempos de dedicação semanal dos profissionais de saúde a cada doente é de cerca de 45 minutos na área da Medicina, 82 minutos na da Enfermagem, quase nove minutos na da Psicologia e dez minutos na área de Serviço Social.

O relatório “Atividade Assistencial das Equipas/Serviços de Cuidados Paliativos” adianta também que, ao longo de 2018, acederam aos Cuidados Paliativos 25.570 doentes adultos e 90 em idade pediátrica, apontando para uma taxa de acessibilidade de cerca 25% dos adultos e 0.01% em crianças e jovens.

O coordenador do Instituto de Ciências da Saúde (OPCP) da Universidade Católica, o Prof. Doutor Manuel Luís Capelas, esclareceu em declarações à agência Lusa que a taxa de acessibilidade “está em linha com o que tem sido estudado e apresentado”, que ronda entre os 25 e os 50%, ainda que esteja “no limite mínimo dessa taxa de acessibilidade”.

O Prof. Doutor Manuel Luís Capelas revela ainda que o que preocupa o responsável é o baixo tempo de alocação profissional às equipas, com baixo número de recursos, apontado no relatório de dezembro. Nesse sentido, “este relatório vem dizer que, apesar de tudo, até se consegue receber muitos doentes, mas o que acontece é que isso tem algum impacto aparentemente negativo”, particularmente no que toca o tempo de dedicação por doente.

“Nós não poderemos prestar bons cuidados se não tivermos as pessoas com alocação necessária”, salienta. Ainda assim, defende ser “preferível” ter menos recursos e ir crescendo de “uma forma sustentada, prática, com os recursos adequados”. Para isso, o responsável afirma ser necessário implementar um sistema de triagem mais seletivo, de modo a que “equipas possam verdadeiramente prestar os cuidados”.

A investigação adianta também que existem disparidades ao longo do país, com locais onde os médicos dedicam seis minutos por semana a um doente, ao passo que outros alocam quase duas horas. O Prof. Doutor Manuel Luís Capelas afirma que “há que repensar de forma urgente [este problema], porque o sofrimento é urgente e o número de pessoas” a precisar de cuidados vai continuar a aumentar, conclui.

Em Portugal existem cerca de 102.452 doentes adultos e 7.828 em idade pediátrica com necessidades paliativas. O relatório reitera que, apesar de os resultados não poderem ser encarados como representativos da realidade nacional, as taxas de resposta acima dos 50% justificam a importância e validade do estudo.

 


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