Falta de Cuidados Continuados em Saúde Mental mantém doentes internados
Falta de Cuidados Continuados em Saúde Mental mantém doentes internados

Os Cuidados Continuados em Saúde Mental não têm resposta suficiente para o número de utentes, o que obriga grande parte deles a permanecer em internamento, revela o relatório do Conselho Nacional de Saúde (CNS) sobre a Saúde Mental, intitulado “Sem Mais Tempo a Perder: Saúde Mental em Portugal – Um Desafio para a Próxima Década”. Divulgado hoje, dia 16 de dezembro de 2019, o estudo apela para um alargamento da oferta na área da Saúde Mental, de modo a dar resposta aos doentes e às famílias.

 

“Apesar do sucesso da reorganização da rede hospitalar em Saúde Mental, a insuficiente resposta de uma rede de cuidados continuados em Saúde Mental ainda mantém um número elevado de doentes de longa duração em internamento hospitalar, sendo urgente expandir o número de lugares de forma a dar resposta aos doentes e às suas famílias”, refere o relatório.

Para além disso, o estudo defende ainda a conclusão da reforma hospitalar, apelando à transferência de respostas de internamento de agudos dos hospitais psiquiátricos para os hospitais gerais. Segundo o documento, é necessário concluir a integração da assistência psiquiátrica nos Serviços de Saúde Mental do Centro Hospitalar do Oeste, Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, Centro Hospitalar do Médio Ave e Centro Hospitalar Entre o Douro e Vouga.

São também destacados os passos positivos, com a oferta de novas camas em Lisboa e no Porto, mas realça a necessidade de requalificar a unidade de Coimbra, de modo a que estejam disponíveis mais lugares para inimputáveis fora dos estabelecimentos prisionais.

O estudo sublinha também que a criação de equipas comunitárias de Saúde Mental em cada região não se tornou uma realidade, acrescendo ainda a assimétrica distribuição dos profissionais de Saúde Mental, o que limita, por exemplo, a constituição de equipas de saúde.

As perturbações do foro psiquiátrico têm uma prevalência de 22,9%, colocando Portugal num “preocupante segundo lugar” a nível europeu. A depressão afeta 10% dos portugueses e, em 2017, o suicídio foi responsável por 14,628 anos potenciais de vida perdidos. Para além disso, Portugal encontra-se em quarto lugar entre os países da OCDE no que toca a demência, que assume uma frequência de 20,8 por cada mil habitantes.

O consumo de psicofármacos nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) em 2018 correspondeu a 11,3 milhões de unidades CHNM (quantidade unitária de cada medicamento: número de comprimidos, seringas, frascos), um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior.

Os resultados do estudo serão apresentados hoje, dia 16 de dezembro, no 3.º Fórum do CNS. O evento terá lugar no Auditório António de Almeida Santos, na Assembleia da República.

 


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