Reunião “Para além do diagnóstico – alergia e autoimunidade” alerta para importância do diagnóstico preciso
12/12/2019 16:51:01
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Reunião “Para além do diagnóstico – alergia e autoimunidade” alerta para importância do diagnóstico preciso

O evento “Para além do diagnóstico – alergia e autoimunidade” decorreu nos dias 26 e 27 de novembro, em Lisboa e no Porto, tendo como objetivo a promoção de um diagnóstico preciso e precoce para melhorar a qualidade de vida dos doentes. A reunião, dirigida a especialistas, foi promovida pela ThermoFisher Scientific.

 

A Dr.ª Ana Reis Ferreira, imunoalergologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho, colocou em destaque dois motivos pelos quais considera ser fundamental um diagnóstico preciso destas patologias: “quando é confirmada uma alergia conseguem ser implementadas medidas para evitar o contato do doente com esse alergénio. Em segundo lugar, ao descartar determinada alergia, conseguimos liberalizar a vida do doente, aumentar-lhe a qualidade de vida e isto é válido quer para os alergénios respiratórios, quer para as alergias alimentares”.

A especialista adianta ainda que um mau diagnóstico tem consequências de peso a nível da saúde do doente: “no caso das alergias alimentares, podemos estar a restringir alimentos que têm um elevado nível nutricional, como o leite e o ovo, de forma desnecessária e optamos por alternativas menos saudáveis. Tem também implicações a nível social, com as crianças, muitas vezes, a sentirem-se isoladas ao não poderem juntar-se aos amigos nas festas porque têm uma alergia, por exemplo”, conclui.

A apresentação do Dr. Pedro Lopes da Mata teve como tema o diagnóstico molecular da alergia, que, segundo o especialista, “vai ajudar a identificar com exatidão o epítopo a que o doente é alérgico. Depois, em função do epítopo, dá-nos indicação sobre a gravidade, o prognóstico e informações sobre a escolha de uma eventual imunoterapia, ou seja, vacinas antialérgicas. Se o diagnóstico não for preciso podemos estar a prescrever medicamentos que não servem para nada”, esclarece o médico alergologista.

Já o Dr. Carlos Vasconcelos, internista e fundador da Unidade de Imunologia Clínica do Centro Hospitalar do Porto, abordou a importância da clínica e do laboratório no diagnóstico, prognóstico e terapêutica nas doenças autoimunes, revelando que a importância do diagnóstico precoce permite “prevenir o dano que provocam a diversos níveis. Se existir uma forma de sabermos que vai ter uma doença autoimune, fazendo testes ainda na fase assintomática, poderemos intervir”, refere.

Quanto aos biomarcadores e testes de diagnóstico nas doenças autoimunes, o especialista acrescenta que “vamos evoluir nesse sentido, quando definirmos exatamente quais são os genes que podem estar implicados e depois definirmos, também com exatidão, quais são as infeções - os antígenos víricos e/ou microbianos, que podem estar associadas e os eventos de vida. No entanto, é algo muito complexo”, salienta.

“As doenças autoimunes são, muitas vezes difíceis de diagnosticar. O que há, muitas vezes, é a falta de marcadores, se existisse um marcador, por exemplo, para a lúpus ou para a artrite reumatoide seria tudo mais simples e é por isso que surge esta discussão – será que podemos harmonizar os marcadores que habitualmente são pedidos?”, acrescenta o Dr. Carlos Dias, especialista em Medicina Interna do Hospital de S. João, que apresentou o grupo European Autoimmunity Standardisation Initiative (EASI). Criando em 2002, trata-se de um conjunto de cientistas e médicos de laboratórios, clínicas ou autoridades do sistema de saúde de 19 países europeus, juntos pela melhoria do diagnóstico das doenças autoimunes.

 


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019