Portugueses pagam quase o dobro dos europeus em despesas de saúde
29/11/2019 14:56:23
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Portugueses pagam quase o dobro dos europeus em despesas de saúde

Segundo o relatório de 2019 sobre a Situação da Saúde na União Europeia (UE), publicado esta quinta-feira, em Bruxelas, os utentes da UE gastam, em média, 15,8% da despesa total em saúde. Em Portugal, esse valor alcança os 27,5%. O estudo, levado a cabo pela Comissão Europeia, em colaboração com a Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económicos (OCDE) e do Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde, tem como objetivo tornar os sistemas de saúde e os conhecimentos especializados acessíveis aos decisores políticos e a todos os que contribuem para as políticas de saúde.

 

O estudo revelou que as comparticipações do Estado português chegaram aos 66,3% do financiamento total da saúde, em 2017, valor comparativamente inferior aos 79,3% registados nos países da UE. Para além disso, o valor do financiamento público da saúde encontra-se em queda. O país gastou 2,029 euros per capita em cuidados de saúde, estando 30% abaixo da média da UE, com uma despesa de 2,884 euros.
Cerca de 600 mil utentes, 5,8% da população, não tinham médico de família no início de 2019, apesar do aumento do número de médicos desde 2016. Para além disso, cerca de 330 mil famílias portuguesas usam mais de 40% de todas as despesas com bens essenciais na saúde, algo definido como uma “despesa catastrófica”.

Portugal registava, em 2017, uma esperança média de vida de 81,6 anos, valor acima dos 80,9 da UE. Ainda assim, “a mortalidade pela doença de Alzheimer está a aumentar, embora os AVC e a doença cardíaca isquémica continuem a ser as principais causas de morte. As pessoas vivem mais tempo, mas, muitas vezes, com doenças crónicas ou incapacidades”, refere o documento.

Quanto aos fatores de risco aos quais são atribuídos um terço as mortes, fatores alimentares surgem em primeiro lugar, com 14% (UE 18%), seguindo-se o tabagismo, com 12% (UE 17%), o consumo de álcool, com 11% (UE 6%) e a pouca prática de exercício físico, com 3%, semelhante à média da UE. O estudo acrescenta que “a obesidade adulta é mais elevada do que a média em toda a UE, atingindo 15,4 % em 2017. Além disso, as taxas entre os adolescentes estão a aumentar, sendo que, em 2013 e 2014, praticamente um em cada cinco jovens de 15 anos tinha excesso de peso ou era obeso”.

O relatório afirma que Portugal “tem um bom sistema de cuidados primários, capaz de manter os doentes fora dos hospitais quando isso se justifica”, e que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) é universal, ainda que as despesas não reembolsadas continuem a ser relativamente elevadas.

O número de médicos e enfermeiros em Portugal tem aumentado de forma exponencial desde 2000, havendo cinco médicos habilitados por cada mil habitantes em 2017, valor acima da média de 3,6 da UE. Contudo, o número de enfermeiros (6,7 por cada mil) está abaixo da média da UE (8,4). Por fim, também o número de camas de hospital por mil habitantes (3,4) é inferior ao da média da UE (5,1 por mil).

De acordo com o estudo, apenas metade da população portuguesa diz ser saudável, em contraste com a maioria da UE, onde dois terços dos adultos avaliam positivamente a sua saúde.

O documento assinala ainda dois desafios para a sustentabilidade financeira e fiscal do sistema de saúde português: “o primeiro é a necessidade de cuidar da uma população envelhecida, com patologias crónicas e necessidades cada vez maiores no plano da saúde. O segundo desafio é o dos pagamentos em atraso dos hospitais do SNS, que constituem um problema grave de longa data”, conclui.

 

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