APECS apresenta Observatório Nacional Para a Infeção VIH
18/11/2019 17:01:45
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
APECS apresenta Observatório Nacional Para a Infeção VIH

A Associação Portuguesa para o Estudo Clínico da Sida (APECS) criou o Observatório Nacional Para a Infeção VIH para ter uma análise rigorosa e independente relativamente à evolução da infeção por VIH em Portugal. O Observatório foi apresentado no sábado, dia 16 de novembro, na Reunião de Outono da APECS, que decorreu na Universidade Nova, em Carcavelos.

Entre 1983 e 2017 foram notificados cumulativamente, em Portugal, 57.574 casos de infecção por VIH. Destes, 22.028 atingiram o estadio SIDA até final de 2017 e para 14.500 morreram durante este mesmo período, segundo dados da Direção-Geral de Saúde. Através do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, na sigla inglesa) ficou-se também a saber, no ano passado, que Portugal é o segundo país da UE em que a SIDA mais mata.

Em declarações à Lusa, a presidente da APECS, a Dr.ª Teresa Branco, sublinhou a necessidade de se reflectir sobre os dados que existem para se poder perceber a infecção e qual a fundamentação das opções que terão de ser tomadas em cada área, desde a prevenção até ao seguimento.

O Observatório Nacional reunirá “pessoas com experiência ou com competências na área e baseia-se na necessidade que temos de ter uma análise que seja rigorosa e independente em relação à evolução sobre a infecção por VIH em Portugal”, explicou.

O Dr. António Diniz, que foi diretor do Programa Nacional para a Infecção VIH/Sida e é vice-presidente da APECS, o Dr. José Vera, da Sociedade Portuguesa de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica, a Dr.ª Ana Escoval, administradora do Hospital de Santa Maria, o Dr. António Vaz Carneiro, director do Centro de Estudos de Medicina Baseada na Evidência, e a Prof.ª Doutora Ana Paula Martins, bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, são algumas das personalidades que vão integrar o observatório.

A Dr.ª Teresa Branco, que é especialista em Medicina Interna no Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra), sublinhou a importância de, mesmo com os recursos que existem, ter uma visão multidisciplinar e um modelo de gestão da infeção centrado nas pessoas infectadas.

“Um modelo de gestão desta infecção - que agora é uma doença crónica - centrado nas pessoas infectadas, coordenando o que temos de serviços de saúde, é fundamental. É um esforço que teremos todos de fazer”, afirmou a especialista, destacando a necessidade de integrar os cuidados de forma a conseguir acompanhar as pessoas infectadas.

Na reunião foi também anunciado o vencedor da Bolsa de Investigação na Infecção por VIH, prémio que junta a APECS e a farmacêutica Gilead.

Esta bolsa, que homenageia o virologista português recentemente falecido o Dr. Ricardo Camacho, será atribuída ao projecto Construção de uma base de dados sócio-demográficos, clínicos e genómicos para estudar a epidemia do VIH em Portugal, da Dr.ª Ana Abecassis.

“Tudo o que estamos a fazer são as bases, a sustentação daquilo que precisamos de fazer no futuro e é exactamente esse o título da Reunião de Outono, Preparar o Futuro, afirmou a Dr.ª Teresa Branco.

 

Equidade nos tratamentos

A presidente da APECS destacou ainda que esta é já uma doença crónica “com características muito específicas” e que, por isso, é preciso “organizar e reflectir qual é a melhor maneira de manter as pessoas em seguimento ao longo de dezenas de anos”.

“Não é fácil nas outras doenças crónicas e nesta, em particular, que lida ainda com o problema do estigma e da discriminação, temos de reflectir ainda melhor sobre qual é a forma de conseguirmos estes nossos objectivos”, acrescentou.

A especialista destacou ainda, a este respeito, os critérios de qualidade na prestação dos cuidados de saúde: “Não podemos ter pessoas a serem tratadas de forma diferente por estarem a viver em Lisboa ou fora de Lisboa. É muito importante termos critérios mínimos de qualidade para que se possa ter equidade nesta prestação de cuidados de saúde”.

“Temos de tentar poupar no seguimento. É essa a ideia criação de centros onde esteja garantido um acompanhamento de saúde e não o acompanhamento de uma infecção, porque agora isto já não é uma infecção, é uma doença crónica, que está controlada com tratamento”, disse a Dr.ª Teresa Branco, sublinhando que o que é difícil é “conseguir o envolvimento das pessoas infectadas, para que percebam a doença e as necessidades, envolvendo também a comunidade e os representantes da sociedade civil”.

 

Fonte: Público/Lusa

 


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019