Dr.ª Catarina Palma dos Reis vence 1.ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde
24/10/2019 16:58:01
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Dr.ª Catarina Palma dos Reis vence 1.ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde

A Dr.ª Catarina Palma dos Reis, líder do projeto de investigação de tratamento da restrição de crescimento fetal, foi a vencedora da 1.ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde, promovido pela MSD Portugal. Tendo em conta que a restrição de crescimento fetal (FGR) afeta 5 a 10% das gestações, a equipa da Maternidade Dr. Alfredo da Costa (MAC) avaliou se a administração de heparina de baixo peso molecular tem impacto no tratamento da FGR e, desta forma, diminuir o risco de morte fetal, reduzir o número de nascimentos de bebés muito prematuros e, consequentemente, diminuir as complicações com impacto na saúde futura do bebé. Leia a entrevista.

News Farma (NF) | No que consiste, em termos gerais, este projeto?
Dr.ª Catarina Palma dos Reis (CPR) | A restrição de crescimento fetal é uma patologia que afeta cerca de um em cada 10 gestações, resultando frequentemente de um mau funcionamento da placenta, que se traduz na passagem insuficiente de oxigénio e nutrientes para o feto. Este não consegue, por isso, atingir todo o seu potencial de crescimento geneticamente predeterminado. Esta patologia é diagnosticada através de ecografia, quando encontramos um feto abaixo do percentil 10 para a sua idade gestacional associado a sinais de mau funcionamento placentar (nomeadamente, a alterações do fluxo de sangue da mãe para o feto). Estes bebés têm um risco aumentado de morte in útero e outras complicações importantes e não existe, até ao momento, nenhum tratamento aprovado para esta patologia. O nosso projeto procura avaliar o efeito de um fármaco anticoagulante, a heparina, nas gestações complicadas por restrição de crescimento fetal.

 

NF | Qual será o papel deste projeto no panorama da investigação de tratamento da restrição de crescimento fetal?
CPR | A restrição de crescimento fetal associa-se ainda infelizmente a importantes complicações fetais, neonatais e maternas. Estima-se que esta patologia possa ser responsável por metade de todas as mortes fetais, e que possa justificar quase 40% de todas as induções de trabalho de parto prematuras (antes das 37 semanas), condicionando nestes recém-nascidos pré-termo um risco aumentado de défice auditivo e visual, sequelas neurológicas e pulmonares, entre outras. As grávidas cujos fetos têm restrição de crescimento fetal têm ainda um risco aumentado de desenvolverem complicações hipertensivas, como a pré-eclâmpsia, durante estas gestações.
Excluindo a intervenção em fatores modificáveis, como o tabaco, aumento ponderal insuficiente da grávida ou stress laboral, atualmente, não há qualquer tratamento disponível para esta situação. As recomendações limitam-se por agora à vigilância do bem-estar materno e fetal até ao momento em que algum destes está comprometido, e programa-se a este ponto o parto dependendo da idade gestacional. Esta investigação procura aprofundar os conhecimentos atuais acerca dos mecanismos de doença na restrição de crescimento fetal, e contribuir para a eventual aprovação de uma terapêutica para esta patologia.

 

NF | Sendo esta a 1.ª edição do Prémio MSD de Investigação em Saúde, qual a importância deste tipo de iniciativas no que diz respeito ao avanço científico em Portugal?
CPR | O Prémio MSD de Investigação em Saúde é fundamental para promover a investigação de iniciativa do investigador em Portugal. Esta bolsa procura apoiar projetos potencialmente geradores de um impacto significativo na saúde da população, a nível nacional e global. Apesar de termos em muitos centros óptimos profissionais com ideias promissoras, e boa casuística, há vários entraves ao desenvolvimento da investigação clínica no nosso país - sendo um dos maiores a escassez de financiamento. No nosso caso, este prémio foi um enorme impulso, e dotou-nos dos fundos necessários para a viabilização deste estudo.

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