“Menos Sal Portugal”: estudo inédito comprova impacto da redução do consumo de sal
17/10/2019 15:34:30
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“Menos Sal Portugal”: estudo inédito comprova impacto da redução do consumo de sal

O programa Menos Sal Portugal, introduzido no início de 2019 com o objetivo de consciencializar os portugueses para a redução do consumo de sal para metade, apresentou no dia 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação, as conclusões do estudo inédito “ReEducar – Reeducação para uma alimentação saudável”. Veja o vídeo da reportagem.

 

Promovido pela CUF e pelo Pingo Doce, o estudo, com coordenação científica da Prof. Doutora Conceição Calhau, da NOVA Medical School, e do Prof. Doutor Jorge Polónia, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, concluiu que a diminuição da ingestão de sal e o aumento da ingestão de potássio, conjugados com a mudança dos padrões alimentares, estão diretamente associados a uma significativa redução da pressão arterial e a benefícios cardiovasculares.

A investigação, que contou com 311 participantes voluntários, revelou que com redução da ingestão de sal no plano alimentar diário ao longo de 12 semanas, a sua pressão arterial baixou, em média, 2,1 mm Hg. No grupo de indivíduos com maior consumo de sal ou com pressão arterial mais elevada obteve-se, respetivamente, uma redução do consumo diário de sal de 0,6gr e uma redução da pressão arterial de 9 mm Hg. Os voluntários foram acompanhados pela CUF e pelo Pingo Doce através de consultas nas unidades hospitalares e mediante o aconselhamento nutricional no supermercado.

“Tinha muito interesse em melhorar a minha alimentação, o que aconteceu. Reduzi o sal, o consumo da carne, como muito mais fruta e legumes, o que tem sido muito melhor para a minha saúde”, diz Maria Guedes, uma das voluntárias do estudo.

As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte na Europa, responsáveis por 45% das mortes no continente Europeu, e por 37% nos países da União Europeia. Segundo os cinco maiores estudos observacionais a nível mundial, pequenas diferenças na pressão arterial resultam numa significativa redução do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, causa da morte de dois milhões de pessoas anualmente. Para além disso, muitos doentes poderão evitar o início da medicação anti hipertensora, ou reforçar o efeito de medicação já em curso com a redução do consumo de sal.

“Sabemos que o sal é um tóxico, cria dependência, portanto a aposta é que comecemos a não utilizar sal na cozinha. Lembremo-nos das crianças, onde o efeito tóxico do sal é muito maior, e muitas vezes será o lenitivo para que os adultos comecem a reduzir a ingestão de sal. Ao mesmo tempo temos que aumentar a ingestão de potássio, que está a nível da batata, abacate, banana, coisas tão simples como o alho em pó e a salsa em pó, que podem vir a tornar-se a forma de temperarmos a nossa comida”, explica o Prof. Doutor Jorge Polónia.

A ingestão excessiva de sal é considerada um problema de saúde pública em Portugal, associada à hipertensão, que afeta mais de 40% dos portugueses. Quando não controlada, pode levar a situações fatais como o AVC ou o enfarte do miocárdio. De acordo com o estudo Global Burden of Disease (GBD), de 2016, os hábitos alimentares inadequados dos portugueses são o segundo fator de risco que mais contribuiu para a mortalidade precoce.

“Esta discussão promove sobretudo um debate ao nível de investimento publico em políticas de saúde de prevenção, mostrando como mudanças nos hábitos alimentares têm um impacto imenso e um ganho em saúde não só para a população, como também em gastos de saúde que poupamos”, revela a Prof. Doutora Conceição Calhau. “Quanto mais comunicação houver, quanto mais possibilidade houver de podermos dar alternativas a nível de produtos, é possível as pessoas mudarem esses comportamentos. Já retirámos 33 toneladas de sal desde 2012 dos nossos produtos, mas continua a faltar muito. Vamos continuar a procurar alternativas com a indústria”, acrescenta a Dr.ª Maria João Coelho, diretora de Marketing do Pingo Doce.

O programa Menos Sal Portugal, uma iniciativa da CUF e do Pingo Doce, tem como objetivo incentivar os portugueses a seguirem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), reduzindo o seu consumo diário de sal para 5 gramas, metade do que ingerem neste momento. Um consumo médio diário de sal inferior a 5 gramas reduz em 23% a morte por AVC e em 17% a doença cardiovascular.

 

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