Dados revelam que IVI reduz em 75% a gravidez gemelar na última década
02/10/2019 12:39:46
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Dados revelam que IVI reduz em 75% a gravidez gemelar na última década

Segundo dados da SEF (Sociedade Espanhola de Fertilidade), a transferência de dois embriões diminuiu de 72%, em 2012, para 56%, em 2016. O modelo belga de saúde pública mostra o impacto positivo das políticas adotadas, com uma redução na taxa de gravidez múltipla de 27% para 11%.

Nos últimos anos, Espanha tem vindo a assistir a um aumento constante no número de gravidezes múltiplas, um facto que influenciou diretamente a reprodução assistida. Apesar das evidências e das campanhas de consciencialização para especialistas e doentes a favor da transferência de um único embrião (SET), a taxa de gestação gemelar associada a um tratamento reprodutivo está atualmente em torno dos 20%. 

A política atual do IVI é optar, sempre que possível, por transferências de um único embrião. “O SET passou de 22%, em 2009, para 88% em 2018, nas clínicas do IVI espalhadas por todo o território espanhol, o que representa uma redução de 75% nesta última década”, refere o Dr. Agustín Ballesteros, diretor do IVI Barcelona, Lleida e Girona, acrescentando: “a razão pela qual foi possível implementar esta estratégia em quase 100% dos nossos tratamentos deve-se ao facto de conhecermos melhor os mecanismos que regulam a recetividade endometrial, técnicas como o Timelapse, que nos permite ver a evolução do embrião ou melhorias na seleção embrionária, graças ao diagnóstico genético pré-implantacional, para descartar os embriões com anomalias cromossómicas. Tudo isto complementado pelo trabalho educacional tanto dos profissionais médicos como da população para que se compreenda que a gravidez múltipla não é um objetivo a alcançar, mas antes uma complicação a evitar”.

Atualmente, o rácio de gravidez gemelar é de 1:80 nas gravidezes espontâneas e de 1:4 nos tratamentos de fertilidade, números que provam a necessidade de tomar consciência desta situação e delinear medidas globais para a sua solução.

Segundo dados da Sociedade Espanhola de Fertilidade (SEF), a transferência de dois embriões diminuiu de 72%, em 2012, para 56%, em 2016, ao passo que a transferência de um único embrião aumentou de 20 para 42%.

Segundo o Dr. Agustín Ballesteros “estamos no caminho certo, no entanto, há ainda que tomar em consideração a perspetiva do doente, que por norma tem tendência a associar taxa de sucesso a taxa de gravidez e nem sempre é o caso, por isso é responsabilidade dos médicos explicar que, na reprodução assistida, a variável de sucesso é definida por recém-nascido vivo e saudável em casa, e que esta circunstância, no caso das gravidezes múltiplas, diminui consideravelmente em comparação com gravidezes únicas devido ao aumento de complicações maternas e fetais".

O profissional de saúde explica que “a eficácia reprodutiva em seres humanos é muito baixa, podendo piorar com o aumento da idade materna aquando da primeira gravidez.” Este atraso na maternidade implica um aumento na busca de tratamentos de reprodução assistida. Mulheres e casais com problemas reprodutivos geralmente optam por pedir ao seu especialista para transferir mais de um embrião, dado acreditarem que desta forma aumentam as hipóteses de levar uma gravidez a termo. No entanto, os resultados publicados em diferentes estudos “indicam que não há diferenças na taxa de gravidez acumulada com um único embrião em comparação com a taxa de gravidez clínica quando se transferem dois, tanto em ciclos com gâmetas próprios quanto em doações”, acrescenta o Dr. Ballesteros.

O principal objetivo dos tratamentos de reprodução assistida é ter recém-nascidos vivos saudáveis e que esses tratamentos não representem um risco para a mãe. “Partindo dessa base, e embora a transferência seletiva de um único embrião não seja atualmente uma prática padrão em todos os centros de reprodução assistida, a verdade é que, em Espanha, em 3,5% dos casos está-se a transferir três embriões e em 65%, dois embriões. Estes dados são menos acentuados nos casos de doação de gâmetas, embora a transferência de dois embriões ainda seja a prática mais comum. É portanto necessário, tal como já referimos, definir políticas para reverter essa situação ”, acrescenta o especialista.

Outro aspeto a ter em consideração relativamente às gravidezes múltiplas está relacionado com os custos de saúde que as mesmas implicam, que são o dobro dos das gravidezes únicas, tal como os custos associados ao parto, 1,7 vezes mais caros que os de uma gravidez única.

O Dr. Ballesteros refere que “chegámos inclusive a ponderar se não seria necessário legislar o número de embriões a transferir, como fizeram no modelo belga de saúde pública, no qual todos os tratamentos onde se transfere um embrião são reembolsados”. O especialista explica que o impacto desta política traduz-se em 50% dos ciclos com SET, uma diminuição da taxa de gravidezes múltiplas de 27% para 11%, uma manutenção das taxas de sucesso e uma menor proporção de internamentos na unidade de cuidados intensivos pediátricos e de tratamentos por sequelas em recém-nascidos. A poupança a curto prazo situa-se nos sete milhões de euros e, a longo prazo, nos 50 a 70 milhões de euros. “No entanto, cremos que não é necessário recorrer a legislação, sendo provavelmente suficiente promover estas práticas através de um embriologista ou ginecologista que partilhe desta opinião, aliado a bom aporte de informação para as mulheres e os casais”, conclui.


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