Realizado estudo sobre preocupações e tabus na gravidez e pós-parto
30/09/2019 16:02:12
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Realizado estudo sobre preocupações e tabus na gravidez e pós-parto

O Estudo “Preocupações, Mitos e Tabus da Gravidez e do Pós-parto”, conduzido por investigadores da Universidade Católica Portuguesa, procurou compreender melhor as questões de grávidas e puérperas num contexto em que o ambiente digital potencia a existência de uma sobrecarga de informação, a disseminação de notícias falsas e um acesso imediato a conteúdos de saúde sem nenhuma curadoria por parte de profissionais credenciados. A investigação partiu de uma iniciativa da Barral e surgiu em resultado da necessidade de dar resposta às preocupações das mulheres numa fase tão importante das suas vidas.

O inquérito demonstra que os profissionais de saúde são a fonte de informação em quem as grávidas e puérperas mais confiam (82% consideram a opinião dos médicos ‘muito importante’ e 83% consideram a opinião dos farmacêuticos ‘importante’ ou ‘muito importante’). Os fóruns digitais são as fontes de informação que as respondentes consideram ter menor grau de credibilidade (apenas 29% os consideram ‘importantes’ ou ‘muito importantes’).

Relativamente aos maiores motivos de preocupação e ansiedade, têm maior peso a saúde do bebé (84%), a recuperação pós-parto (54%), parto (51%) e a amamentação (48%). Quanto aos cuidados de saúde durante a gravidez destacaram-se a utilização de cremes nos cuidados diários de higiene (94%), manter uma alimentação saudável e evitar ganhar peso excessivo (90%). As inquiridas desmentiram, porém, o mito dos “desejos” durante a gravidez. A maioria das inquiridas que já passou pela experiência do parto (n=439) relaciona o parto com uma experiência positiva (60%) e destacam o apoio dos profissionais de saúde nesta fase (82%). No entanto, 71% das respondentes afirmam que, por mais que lessem e se informassem, nunca podiam estar preparadas para uma experiência tão intensa como a do parto.

No inquérito destacam-se também alguns aspetos psicológicos relacionados com preocupações e motivos de ansiedade que registaram taxas de concordância por parte das inquiridas enquanto recém-mamãs (n=408), acima dos 50%, como sejam:

  • Não ter tempo para cuidar do corpo e da imagem (63%)
  • Sentir-se triste com as alterações no corpo (51%)
  • Ter momentos de desespero achando que não seria capaz de tratar do bebé (60%)
  • Alterações do humor (82%)
  • Dificuldade em descansar e dormir as horas necessárias (81%)
  • Sentir pressão social, por exemplo para amamentar (51%)
  • Sentir que os familiares e amigos queriam ajudar, mas ainda complicavam mais (60%)

A equipa de investigadores da Universidade Católica Portuguesa desenvolveu um estudo quantitativo através de questionário online junto de uma amostra de 663 mulheres grávidas e puérperas portuguesas, com uma idade média de 34 anos. Em complemento, foi conduzido um estudo qualitativo através de uma dinâmica de World Café, junto de um grupo de 18 grávidas e puérperas da região de Lisboa, com uma média de idade de 33 anos, que contribuíram para aprofundar algumas das temáticas do inquérito.

No âmbito da informação recolhida no World Café, destacou-se a vontade de acesso a informação neutra e esclarecedora prestada durante a gravidez e pós-parto por profissionais multidisciplinares. Foram também muitas as participantes que referiram a necessidade de apoio psicológico no pós-parto e, que muitas vezes, a pressão recai mais sobre elas, porque a partir do momento em que o pai “ajuda”, parece que a obrigação de cuidar do bebé é apenas da mãe, quando na verdade é dos dois progenitores. Também é difícil para o pai desempenhar a sua paternidade, pois acaba por ter tantas ou mais dúvidas e dificuldades como a mãe.

Quanto ao relacionamento com o bebé, as participantes no World Café destacaram que a relação entre a mãe e o bebé se constrói e pode não ser imediata, que deveria haver acompanhamento não só da saúde física, mas também psicológica. Foi afirmado que o momento do regresso ao trabalho implica uma rutura dramática e que existe muita pressão das entidades empregadoras. As participantes destacaram também que a sociedade e a legislação não apoiam as necessidades das famílias.


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