Fibrose pulmonar idiopática: desvalorização dos sintomas compromete o diagnóstico
20/09/2019 15:50:18
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Fibrose pulmonar idiopática: desvalorização dos sintomas compromete o diagnóstico

Falta de ar, tosse seca e persistente e menor resistência física: estes podem ser sintomas de fibrose pulmonar idiopática, uma doença rara, que afeta sobretudo pessoas acima dos cinquenta anos e que atinge gravemente e de forma progressiva os pulmões, danificando-os através de um processo de cicatrização aberrante, designado fibrose, que os torna mais rígidos.

Segundo o Prof. Doutor António Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP), o diagnóstico é difícil e pode demorar entre 12 a 24 meses, isto porque os sintomas são muitas vezes desvalorizados pelo doente e confundidos numa primeira fase com outras doenças cardíacas e respiratórias.

“Inicialmente, o doente tende a interpretar a dispneia de esforço (falta de ar, dificuldade em respirar) como uma consequência normal do avanço da idade.” Por outro lado, o pneumologista explica que inicialmente “são despistadas doenças mais frequentes, como a insuficiência cardíaca ou a doença pulmonar obstrutiva crónica, não havendo a sensibilidade de procurar igualmente a fibrose pulmonar idiopática, mesmo quando as outras doenças não são diagnosticadas”.

Entre os exames que permitem identificar os casos de fibrose pulmonar idiopática encontram-se “a TAC torácica, que se evidenciar um padrão de pneumonia intersticial usual definitiva, é suficiente para diagnóstico. Nos outros casos, existem situações que necessitam da realização de biopsia pulmonar”. A cura está apenas no transplante pulmonar, mas existem medicamentos antifibróticos que permitem uma desaceleração na progressão da doença.

Sendo setembro o mês de sensibilização para esta doença rara, o presidente da SPP deixa um alerta aos especialistas: “quando despistadas as doenças comuns do foro cardíaco e respiratório, o médico deve pensar neste diagnóstico quando o doente se queixar de dispneia de esforço e/ou tosse seca e apresentar crepitações inspiratórias basais na auscultação pulmonar”.

Quanto ao doente, importa “não desvalorizar os sintomas e procurar um médico quando a falta de ar, o cansaço e a tosse seca forem persistentes”.


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