ULS de Castelo Branco inicia projeto de telemonitorização em diálise peritoneal domiciliária
16/07/2019 15:47:15
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ULS de Castelo Branco inicia projeto de telemonitorização em diálise peritoneal domiciliária

O Serviço de Nefrologia da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco, EPE está já a utilizar o sistema de telemonitorização em diálise peritoneal. Os doentes com insuficiência renal crónica podem realizar o tratamento de diálise peritoneal a partir de casa e, através de um sistema inovador que lhes permite a ligação remota aos profissionais de saúde, o tratamento é acompanhado no hospital.

Na Unidade Local de Saúde de Castelo Branco são acompanhados, atualmente, 21 doentes com insuficiência renal crónica, cinco doentes nesta modalidade de tratamento, número que se estima que aumente até ao final do ano.

A Dr.ª Raquel Chorão, médica nefrologista responsável pela diálise peritoneal nesta unidade congratula-se com esta aposta na inovação que permite melhorar o atendimento ao doente e afirma: “a telemonitorização possibilita uma autonomia que é muito valorizada pelo doente. A eficácia do tratamento mantém-se e, para o doente, representa a possibilidade de gerir o seu tempo e manter a sua qualidade de vida com a segurança de que o tratamento está a ser seguido no hospital.”

A especialista acrescenta que “a operacionalização deste protocolo vem permitir uma maior eficácia nos cuidados prestados ao doente, com um investimento tecnológico reduzido e com a vantagem de permitir diminuir o número de deslocações do doente ao hospital, assim como um maior aproveitamento dos recursos humanos existentes”.

O Dr. Filipe Granjo Paias, country lead da Baxter Portugal, responsável pelo desenvolvimento da plataforma de telemonitorização em diálise peritoneal, lembra que “a aposta na inovação em diálise peritoneal tem como finalidade melhorar a qualidade de vida dos doentes com insuficiência renal crónica, numa lógica de equidade, sustentabilidade e eficiência das unidades do Serviço Nacional de Saúde”.

A gestão da insuficiência renal crónica requer consultas regulares e deslocações frequentes do doente ao hospital, com encargos elevados a nível de tempo, comodidade, disponibilidade e custos. Com a redução da necessidade do número de visitas não planeadas ao hospital, proporcionada pelo sistema de telemonitorização, torna-se também possível diminuir os custos relacionados com essas deslocações e o tempo alocado, com impacto positivo na qualidade de vida do doente. Do ponto de vista clínico, o acesso rápido aos dados específicos do tratamento permite um acompanhamento mais proativo por parte dos profissionais de saúde, uma deteção mais rápida de problemas associados ao tratamento, uma monitorização mais próxima e frequente, bem como uma maior disponibilidade para o suporte adequado. A possibilidade de redução de todos estes encargos a nível de recursos, deslocações e tempo alocado com a implementação da telemedicina em diálise peritoneal, traduz-se numa poupança tanto para o doente como para o hospital e, por último, para o Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Em Portugal, os registos da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN) indicam que por ano entram em falência renal cerca de 2.500 portugueses. Estima-se que estejam em Tratamento de Substituição da Função Renal cerca de 12 mil doentes, 25% com idade superior a 80 anos.

Atualmente, são mais de 204 os doentes a beneficiar desta tecnologia inovadora e o projeto estende-se já a 21 hospitais do país. Os resultados do projeto piloto que teve início em 2016 nos Centros Hospitalares de Lisboa Norte e Lisboa Ocidental, e Centro Hospitalar São João, no Porto, indicam que existem potencialmente ganhos de eficiência dos cuidados prestados bem como uma melhoria da qualidade de vida dos doentes que realizam diálise peritoneal. Atualmente, mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo fazem diálise peritoneal domiciliária com recurso à telemonitorização. Esta plataforma de gestão remota bidirecional está já disponível em mais de 40 países de quatro continentes.

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