Projeto de investigação de novos alvos terapêuticos para linfoma não Hodgkin vence Bolsa de Investigação
16/07/2019 14:55:32
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Projeto de investigação de novos alvos terapêuticos para linfoma não Hodgkin vence Bolsa de Investigação

A Bolsa de Investigação em Neoplasias de Células B Maduras foi atribuída a um projeto que pretende estudar a relação entre as transformações genéticas e celulares assim como alterações do microambiente em doentes com Linfoma Linfoplasmocitico/Macroglobulinémia de Waldenstrom, um tipo de linfoma não Hodgkin. Assista aos vídeos.

Encontrar novos fatores prognósticos e a carência de uma terapêutica orientada para as necessidades dos doentes com linfoma linfoplasmocítico/macroglobulinémia de Waldenström foram as principais necessidades detetadas pelos investigadores que, durante o próximo ano, se vão dedicar ao estudo da relação entre as transformações genéticas e celulares na célula maligna assim como alterações no sistema imunológico envolvente, particularmente o compartimento de células B, em doentes com Linfoma linfoplasmocítico/macroglobulinemia de Waldenström.

A News Farma entrevistou o Prof. Doutor Manuel Abecasis, presidente da Associação Portuguesa Contra a Leucemia, que encara esta iniciativa como “uma maneira que encontrámos para estimular o aparecimento de projetos de investigação em determinadas áreas, neste caso na área das Neoplasias de Células B Maduras, e assim permitir às varias equipas de investigadores que existem no país submeter projetos e poderem beneficiar de um financiamento que os vai ajudar a concretizar esses projetos. Daí, muito possivelmente, surgirão pistas para novas alternativas de tratamento.”

 

 

Em entrevista, a Prof.ª Doutora Maria Gomes da Silva, do Instituto Português de Oncologia da Lisboa, referiu que, enquanto membro do júri, foi do acordo dos três membros financiar este projeto pois “merecia um financiamento que permitisse arrancar e, eventualmente, continuar para trabalhos posteriores mais vastos”. A especialista enfatiza a importância do projeto vencedor “focar-se num linfoma que não é muito frequente e que pertence ao grupo dos linfomas indolentes. Às vezes estas doenças mais raras merecem menos atenção do que outras nas quais os tratamentos farmacológicos chamam mais a atenção”.

 

 

O Linfoma Linfoplasmocítico/Macroglobulinémia de Waldenström é um linfoma não Hodgkin, que embora represente apenas 1-2% dos linfomas, está associado a elevada morbilidade quando sintomático. O Linfoma Linfoplasmocítico define-se por envolvimento da medula óssea e está frequentemente associado à produção aberrante de uma proteína, quase sempre a imunoglobulina-M, designando-se nestes casos, de Macroglobulinémia de Waldenström. A acumulação de imunoglobulina-M no organismo pode levar ao desenvolvimento de sintomas típicos da macroglobulinémia de Waldenström, incluindo hemorragias, alterações da visão e problemas associados ao sistema nervoso.

A Dr.ª Sara Duarte, médica interna de Hematologia no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e coordenadora do projeto vencedor explica à News Farma que este projeto foca-se num linfoma linfoplasmocítico que, embora raro, está associado a uma elevada morbilidade quando sintomático e é pouco caracterizado. “O nosso objetivo é caracterizar a célula maligna neste tipo de linfoma e corelacionar com o que já se sabe em termos de alterações genéticas, bem como conhecer o micro ambiente envolvente da célula maligna, nomeadamente o compartimento célula b normal, e saber que transformações é que sofre de forma a encontrar novos alvos terapêuticos e novos fatores prognósticos que nos ajudem a criar esquemas terapêuticos dirigidos para este linfoma, que não existem até hoje”.

 

 

Esta é uma iniciativa da Associação Portuguesa contra a Leucemia (APCL) em parceria com a Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH) e com o apoio da biofarmacêutica Gilead. A bolsa de 15 mil euros é atribuída a um projeto de investigação com a duração de um ano.


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