"Ernesto Roma - vida e obra" - recordar um dos maiores vultos da Medicina portuguesa
10/07/2019 18:01:25
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"Ernesto Roma - vida e obra" - recordar um dos maiores vultos da Medicina portuguesa

A Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP) inaugurou, na passada sexta-feira, 5 de julho a exposição “Ernesto Roma - Vida e obra”, na Secção Regional Norte da Ordem dos Médicos, na cidade do Porto. A News Frama esteve presente. Leia a entrevista ao Dr. Luís Gardete Correia, presidente da Associação Ernesto Roma, e veja a galeria de imagens.

News Farma (NF) | Não é a primeira vez que a APDP realiza a exposição dedicada à vida e obra de Ernesto Roma. Quais são as novidades este ano?

Dr. Luís Gardete Correia (LGC) | A primeira vez que realizámos esta exposição foi há cerca de um ano, em Viana do Castelo, de onde o Dr. Ernesto Roma era natural. Nesse sentido, houve uma associação de vontades da Câmara Municipal de Viana do Castelo e a APDP. A exposição estará no Porto até sexta-feira, dia 19 de julho. Na quinta-feira, dia 18 de julho, decorrerá, no espaço da exposição, uma sessão de homenagem ao Dr. Eduardo Santos Silva, um representante da associação no Porto e que teve um papel importante nos as 50.

NF | O Dr. Ernesto Roma é definido como um vulto da Medicina portuguesa. 

LGC | Sim. É um dos vultos da Medicina portuguesa porque foi um individuo que introduziu o tratamento moderno da diabetes – refiro-me à insulinoterapia e a educação terapêutica. Uma abordagem nova para os doentes crónicos.

Para se perceber melhor, o Dr. Ernesto Roma estava nos Estados Unidos da América (EUA), em Boston, passado muito pouco tempo da descoberta da insulina. Era predominante a diabetes tipo 1 e as pessoas morriam frequentemente. A esperança média de vida também não era suficientemente grande para a diabetes tipo 2. A diabetes tipo 1 era preponderante. O Dr. Ernesto Roma assistiu ao milagre da insulina e veio para Portugal passado pouco tempo onde passou a administrar insulina a dar vida às pessoas que iriam necessariamente morrer. Depois percebeu que a insulina era muito cara e só as pessoas com dinheiro poderiam sobreviver. Nesse sentido, fundou a Associação Protectora dos Diabéticos Pobres e começou, também, deste modo a conhecer melhor o que era a diabetes como doença crónica e, não só, começou a conhecer o dia a dia da pessoa com diabetes. Portanto, criou uma estrutura multidisciplinar que era capaz de dar apoio, não só do ponto de vista médico, mas também social, às pessoas com diabetes. Isto é uma resposta integrada a uma doença crónica e, portanto, nisso ele foi inovador porque, naquela altura, nos anos 20/30, não se sabia bem o que eram as doenças crónicas. Ele foi inovador no sentido de perceber o que era uma doença crónica e perceber o que era a criação de uma estrutura integrada que acompanhasse todos estes doentes. Ao longo dos anos, ele manteve esta clínica que é modelar e que é a resposta moderna às doenças crónicas. Em todos estes aspetos foi inovador. 

NF | Acha que o Dr. Ernesto Roma constitui um exemplo, não só no que à ciência diz respeito, mas de caráter?

LGC | O Dr. Ernesto Roma constitui um exemplo em todos os aspetos. Em primeiro lugar, o aspeto humano, a importância que atribuía à vida das pessoas o que, aliás, é algo que define ainda hoje a ação da APDP. O que é um aspeto fundamental pois hoje, com a evolução tecnológica, as coisas estão muito desumanizadas. Portanto, o Dr. Ernesto Roma deixou aqui uma escola. Depois foi inovador noutro aspeto: a promoção da educação terapêutica. Algo que, naquela altura, foi revolucionário e que significava transportar para o doente 80 a 90% das decisões que deviam tomar.


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