Vencedora do Prémio ISPA 2019 revela que idosos têm dificuldade em identificar intenções das pessoas
16/05/2019 15:47:07
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Vencedora do Prémio ISPA 2019 revela que idosos têm dificuldade em identificar intenções das pessoas

O Prémio ISPA 2019, que visa distinguir jovens cientistas na área da Psicologia e Ciências do Comportamento, é entregue hoje, dia 16 de maio, à Dr.ª Rita Pasion pelo seu estudo pioneiro dos julgamentos morais na área das Neurociências. Partindo da vontade de perceber “porque é que os idosos são mais propensos a fraudes?”, a investigadora dedicou-se a estudar o efeito da idade na perceção da intenção de alguns atos, do ponto de vista das Neurociências. O trabalho procurou perceber o fenómeno e qual a atividade cerebral envolvida.

 

Para o compreender, foram mostradas imagens de vários cenários a duas faixas etárias que as deveriam classificar como intencional ou acidental: por exemplo, uma imagem de um homem a bater com um bastão na cabeça de outro (intencional) e uma imagem de um carro em marcha-atrás a ir contra uma pessoa (acidental).

Verificou-se que o grupo mais velho apresentava maior dificuldade em fazer esta distinção, o que sugere um défice ao nível do julgamento moral nesta faixa etária. Os resultados obtidos no estudo mostram que os jovens (18-35 anos) e os adultos mais velhos (60-75 anos) têm estratégias diferentes para avaliar cenários de transgressão moral. 

Ao nível fisiológico, esta diferença é visível em menos de um segundo. A Dr.ª Rita Pasion e a sua equipa adicionaram uma touca para medir a atividade elétrica do cérebro (eletroencefalografia) no momento da observação dos cenários. A reação é pautada por dois principais picos de atividade cerebral: um primeiro, mais automático e que está correlacionado com a atenção para processar o que estamos a ver, e um segundo que envolve uma atividade cerebral mais complexa e rica, associada à empatia e à capacidade de entendermos a intenção por detrás de um ato. 

O grupo mais velho, principal alvo deste estudo, revelou um aumento considerável nos recursos alocados ao pico de atenção (primeiro momento). Este aumento faria prever que o segundo pico (relacionado com a empatia) também fosse maior, mas aconteceu exatamente o contrário: a performance nessa fase foi consideravelmente inferior. 

Por comparação, os jovens alocaram menos recursos para atenção e a sua atividade cerebral disparou no pico da empatia. Este comportamento quase oposto parece ser, nos idosos, um mecanismo do cérebro para compensar o declínio na cognição que se verifica com o envelhecimento. No entanto, isto pode torná-los suscetíveis a casos em que seja difícil discernir a intenção da outra pessoa – como é o caso das fraudes.

O caráter pioneiro deste estudo abre, assim, novas portas na ainda recente área das neurociências sociais, surgindo integrado num projeto da Fundação BIAL que pretende estudar a evolução do cérebro com o envelhecimento.

O Prémio ISPA visa distinguir jovens cientistas (com menos de 35 anos e que tenham obtido o último grau há menos de cinco anos) cujos trabalhos de investigação tenham sidos realizados numa instituição de I&D nacional e publicados em revistas internacionais nos últimos três anos.

Além dos percursos profissionais dos candidatos, são valorizados a originalidade e a fundamentação científica do trabalho apresentado, bem como o impacto da contribuição científica para a área disciplinar em que se insere.


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