Registado sucesso na transplantação de células estaminais do sangue do cordão umbilical multiplicadas em laboratório
09/05/2019 15:24:52
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Registado sucesso na transplantação de células estaminais do sangue do cordão umbilical multiplicadas em laboratório

Ficaram demonstradas, através de um ensaio clínico recente, a segurança e a eficácia do sangue do cordão umbilical expandido como fonte de células estaminais para transplante, apresentando melhor tempo de recuperação de neutrófilos do que um transplante de medula óssea ou de sangue do cordão convencional. O estudo foi publicado no Journal of Clinical Oncology.

 

Segundo os resultados da investigação, 36 doentes transplantados que sofriam de doenças hemato-oncológicas, como leucemias e linfomas, apresentaram resultados positivos, após a seleção de uma unidade de sangue do cordão umbilical compatível, que foi depois expandida em laboratório e enviada para um dos 11 centros de transplantação nos Estados Unidos da América, na Europa e na Ásia.

O processo de expansão laboratorial, desenvolvido pela empresa Gamida Cell, baseia-se na utilização de uma molécula, a nicotinamida, que permite cultivar as células estaminais em laboratório sem que elas se diferenciem, tendo o produto final sido designado NiCord.

O tempo médio para a recuperação de neutrófilos após um transplante de medula óssea de um dador compatível é de 20 dias e de 21 dias para transplantes convencionais com sangue do cordão umbilical. Com o NiCord, os autores observaram uma redução eficaz para 11.5 dias, diminuindo, assim, o período em que os doentes estão mais vulneráveis e, consequentemente, a ocorrência de infeções e do tempo de internamento hospitalar nos primeiros 100 dias pós-transplante.

“Para além da possibilidade de transplantar doentes com maior peso corporal, uma das grandes vantagens da expansão celular é poder escolher unidades de sangue do cordão umbilical com o melhor grau de compatibilidade e assim aumentar o perfil de segurança do transplante”, afirma a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora no departamento de I&D da Crioestaminal.

“Estes resultados indicam que o sangue do cordão umbilical está um passo mais perto de se tornar numa fonte de células estaminais acessível a todos os que precisam de um transplante hematopoiético”, acrescenta.

Nos últimos 30 anos, o sangue do cordão umbilical tem permitido que doentes com imunodeficiências, doenças metabólicas e doenças do sangue que necessitam de um transplante hematopoiético e não têm dador de medula óssea compatível possam ter uma hipótese de cura. O maior desafio na área da transplantação com sangue do cordão umbilical é o tratamento de doentes com maior peso corporal, que tem sido ultrapassado usando duas unidades de sangue do cordão umbilical, quando necessário. No entanto, esta modalidade de tratamento está associada a custos e tempos de recuperação superiores. Por esse motivo, têm sido estudadas outras alternativas, nomeadamente a expansão, ou multiplicação, das células em laboratório antes do transplante.

 

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