Mais de 50% dos doentes com alto risco de contrair pneumonia não são aconselhados pelo médico a tomar vacina
24/04/2019 17:47:08
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Mais de 50% dos doentes com alto risco de contrair pneumonia não são aconselhados pelo médico a tomar vacina

Mais de metade dos doentes com alto risco de contrariar pneumonia não são aconselhados pelo médico de família a vacinar-se contra a doença, que pode ser mortal. A conclusão é de um estudo realizado pelo Movimento Doentes Pela Vacinação (MOVA) a propósito da Semana Europeia da Vacinação, que este ano se comemora entre os dias 24 e 30 de abril. 

 

"A vacinação deve ser uma preocupação de todos, e deve estar presente em todas as fases das nossas vidas", explica a Dr.ª Isabel Saraiva, fundadora do MOVA, vice-presidente da Respira e presidente da Fundação Europeia do Pulmão. 

"Para ajustarmos as ações do MOVA às necessidades da população, propusémo-nos a avaliar as perceções da comunidade sobre vacinação, através de um inquérito aos nossos seguidores e seus contactos. Os resultados falam por si: começamos, como comunidade, a ter uma boa consciência da importância da vacinação, não só nos mais novos, mas em todas as faixas etárias. Continua a haver, no entanto, algum desconhecimento entre quem devia estar mais informado, no caso, os grupos em maior risco", acrescenta.

Entre os inquiridos mais vulneráveis à pneumonia (quem sofre de doenças crónicas como diabetes, asma, doença pulmonar obstrutiva crónica, doença respiratória crónica, doença cardíaca, doença hepática crónica, é doente renal ou portador de VIH ou tem mais de 65 anos), apenas 44,62% tinha sido aconselhado pelo seu médico a vacinar-se contra a doença. 55,38%, apesar de ter maior probabilidade de a contrair, não tinha sido aconselhado. Isto apesar de, do total dos inquiridos, 94,3% das pessoas acreditar ter as suas vacinas em dia, e de existir, desde 2015, uma Norma da Direção Geral da Saúde (011/2015) que recomenda a vacinação de grupos de adultos com risco acrescido de contrair doença invasiva pneumocócica (DIP).

Os dados coincidem com os resultados apurados quando foi solicitado que os inquiridos selecionassem as patologias para as quais sabiam haver vacina. A pneumonia ficou na última posição. A gripe foi a que mais se destacou (98,6%), seguida do tétano (97,3%). Bastante mediáticos, o sarampo registou 94,7%, a meningite 91,1%, e o HPV 90,3%. Varicela (84,6%), hepatite (82,1%), poliomielite (81,4%) ocuparam as posições seguintes. A lista fechou com a raiva (69,3%) e com a pneumonia (66,9%).

 

 

Vacinas são fundamentais para 89,1%

 

Para 89,1% dos inquiridos, as vacinas são fundamentais na prevenção de doenças graves. 8,5% considerou-as importantes e 2% úteis, enquanto que 0,5% as classificou como dispensáveis.

94,3% dos inquiridos acredita ter as suas vacinas em dia e 87,4% afirmou saber para que doenças deve estar vacinado na sua idade. Isto apesar de, nas idas ao médico, apenas 48% falar sobre vacinação. Esta discrepância pode explicar-se pela existência de outras importantes e fidedignas fontes de conhecimento e aconselhamento, como os profissionais de saúde. A partir da adolescência, 16,3% dos adultos inquiridos afirma não lhe ter sido recomendada qualquer vacina. Números em linha com o que acontece com os inquiridos com filhos a partir dos 10 anos: entre os inquiridos com filhos com mais de 10 anos, 88,95% já tinha sido aconselhado a fazer reforço vacinal. 9,39% referiu que não e 1,66% não sabia.

Dos inquiridos com mais de 65 anos, 58% afirmou vacinar-se todos os anos contra a gripe. 19,81% fá-lo de forma pontual e 21,62% referiu nunca o ter feito. 96,5% considera que a vacinação deve ser uma preocupação ao longo da vida, mas quando questionados sobre que faixas etárias se devem vacinar, apenas 87% selecionou todas as opções: bebés, crianças, adolescentes, jovens adultos, adultos e idosos. 

A vacinação ao longo da vida é um dos objetivos do MOVA. Fundado há dois anos pela Respira, durante a Semana Europeia da Vacinação, com o apoio da Fundação Portuguesa do Pulmão e do GRESP, e no seguimento de entradas de referência como a Liga Portuguesa Contra a Sida, a Associação Portuguesa de Asmáticos e a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, o MOVA deu, recentemente as boas-vindas à FPAD – Federação Portuguesa de Associações de Pessoas com Diabetes.

"Somos, neste momento, compostos por sete entidades. Todas distintas nas patologias e nas causas que defendem, mas todas unidas num objetivo comum: a promoção dos direitos dos doentes", explica a Dr.ª Isabel Saraiva. "No caso da vacinação antipneumocócica, causa que originou o nosso Movimento, todas as associações de doentes representam grupos de risco, e todas têm indicação para a fazer", conclui.

Ao longo da Semana Europeia da Vacinação, pode ficar a conhecer todas estas entidades, através de uma campanha composta por pequenos vídeos de sensibilização para a importância da vacinação. Pode assistir aos vídeos na página de Facebook do MOVA.

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