Cancro oral: detetadas 440 lesões malignas ou pré-malignas com projeto PIPCO
15/04/2019 16:06:15
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Cancro oral: detetadas 440 lesões malignas ou pré-malignas com projeto PIPCO

O Projeto de Intervenção Precoce do Cancro Oral (PIPCO) já detetou, desde a sua implementação em março de 2014, 440 lesões malignas ou prémalignas. Os dados foram revelados nos Encontros da Primavera 2019, em Évora, pelo Dr. Filipe Freitas, membro do rupo de acompanhamento do PIPCO e da Ordem dos Médicos Dentistas.

 

O PIPCO já abrangeu perto de oito mil doentes, tendo sido realizadas 3806 biópsias pelos médicos dentistas aderentes ao programa.  

De acordo com os últimos registos oncológicos nacionais, anualmente surgem cerca de 1600 novos casos de cancro da cavidade oral e faringe. O cancro oral é mais frequente nos homens acima dos 45 anos e o tabaco e consumo em excesso de álcool são os principais fatores de risco. A infeção pelo vírus do papiloma humano constitui também um importante fator de risco, sobretudo para os tumores da orofaringe.  

Quando detetado precocemente, o cancro oral pode ser tratado e o objetivo do PIPCO é precisamente rastrear doentes de risco e identificar lesões numa fase inicial.   

Os “cheques diagnóstico” são emitidos pelo médico de família quando há lesões suspeitas, sendo os doentes referenciados para um médico dentista aderente ao PIPCO. Caso se confirme a necessidade de esclarecer a natureza da lesão, o médico dentista emite um "cheque biópsia", realiza o procedimento cirúrgico e envia para análise para determinar o diagnóstico.

“O número de doentes abrangidos tem crescido todos os anos. Uma das grandes virtudes deste projeto é a utilização de uma forma eficiente de toda a capacidade instalada em termos de recursos públicos e privados, no sentido de permitir o diagnóstico precoce de lesões malignas, garantindo depois uma rápida resposta por parte dos serviços de saúde para o tratamento atempado da doença", explicou o Dr. Filipe Freitas.

"Portugal é um dos países da Europa com maior taxa de incidência de cancro oral, sendo que a taxa de mortalidade também é bastante elevada no nosso país. A sobrevivência ao fim de 5 anos é de apenas 40%, por comparação com os 47% da média europeia. De um modo geral, a sobrevivência é ainda menor nos estádios avançados do tumor, sobrevivendo apenas 15 a 30% dos doentes cinco anos depois do diagnóstico tardio", acrescenta.

O diagnóstico precoce é o mais importante fator para o prognóstico da doença, permitindo alcançar boas taxas de sucesso dos tratamentos. O médico dentista desempenha um papel fundamental quer na prevenção quer no diagnóstico precoce da doença.


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