Mais de 60% dos utentes vão ao Serviço de Urgência Geral do CHL sem referenciação
10/04/2019 11:43:46
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Mais de 60% dos utentes vão ao Serviço de Urgência Geral do CHL sem referenciação

Um estudo realizado recentemente na Urgência Geral (SUG) do Hospital de Santo André (HSA), unidade do Centro Hospitalar de Leiria (CHL), através de um inquérito realizado em janeiro de 2019 a utentes triados como não urgentes e pouco urgentes (pulseiras verde e azul), apurou que a maioria, 61,1%, se dirige a este serviço por iniciativa própria, sem recorrer aos cuidados de saúde primários (CSP). 

 

De facto, de acordo com o estudo, dinamizado por investigadores deste Centro Hospitalar em parceria com a Escola Superior de Saúde de Leiria do Instituto Politécnico de Leiria e com o ACES Pinhal Litoral, apenas 21,9% dos inquiridos afirmaram ter recorrido em primeiro lugar ao centro de saúde antes de ir ao SUG – e, destes, apenas 34% trouxeram informação clínica.

"Os dados permitem-nos estudar a tendência dos comportamentos dos utentes no acesso às urgências, à semelhança do que fizemos num estudo idêntico no final de 2014. Verificamos que, à data de hoje, apesar da quase totalidade dos utentes ter médico de família atribuído, as diferenças são mínimas, e as melhorias pouco significativas: no final de 2014, 61,8% dos utentes dirigiram-se ao SUG por iniciativa própria e 18,3% foram primeiro ao centro de saúde, mas apenas 34% trouxeram informação clínica", explica a Dr.ª Alexandra Borges, vogal do Conselho de Administração do CHL.

O projeto tem como principal finalidade caraterizar o perfil dos utentes referenciados e triados como pouco urgentes e não urgentes que recorrem ao SUG do HSA, bem como caraterizar o perfil dos chamados utilizadores frequentes (mais de quatro idas à urgência no período de 12 meses) e muito frequentes (mais de cinco idas ao SUG no período de um ano) a Urgência Geral. Identificar os motivos pelos quais estes utentes dão primazia aos serviços de urgência e não aos cuidados de saúde primários, e analisar o grau de conhecimento que um utente pouco ou não urgente tem sobre o funcionamento dos centros de saúde, são outros pontos da investigação.

A Dr.ª Alexandra Borges revela que "temos vindo a realizar um trabalho de parceria com o ACES-Pinhal Litoral para, em conjunto, encaminharmos os doentes agudos para os cuidados adequados, quer sejam os centros de saúde ou hospital, e este estudo serve precisamente para monitorizar o tipo de utente, as suas motivações e as suas queixas e sintomatologia, para percebermos como podemos encaminhá-los".

O estudo revelou que 87,1% dos utentes não urgente e pouco urgentes que se dirigiram em primeiro lugar à urgência consideram que a sua doença justifica a ida à urgência, enquanto 52,6% revelou que “queria ser observado por um especialista”, 51,2% que poderiam, na urgência, “realizar os exames todos no mesmo dia”, e 46,4 adiantaram que “é difícil marcar uma consulta no centro de saúde”.

Dos cerca de 18,3% dos utentes que se dirigiram primeiro aos cuidados de saúde primários, 60% destes fizeram-nos por ser “a forma correta de atuar”, e 51,7% porque “o médico/enfermeiro tem solucionado os meus problemas”. Estes utentes apresentaram maioritariamente como motivos para ir ao SUG: indisposição, dispneia (dificuldade em respirar), problemas oftalmológicos, problemas nos membros e dor abdominal.

Dos 199 utentes inquiridos pertencentes ao ACES-PL, 96,5% têm médico de família, e 85,3% dos utentes inquiridos tem conhecimento da existência da consulta aberta do centro de saúde, sendo que 63% já a utilizou. 

A análise revela que 37,8% teve alta para o médico de família/Centro de Saúde, 9,3% teve alta para o domicílio, e 8,5% para a Consulta Externa.


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019