Degradação do preço dos medicamentos ameaça serviço de interesse público prestado pela distribuição farmacêutica
Degradação do preço dos medicamentos ameaça serviço de interesse público prestado pela distribuição farmacêutica

A degradação do preço dos medicamentos coloca em risco o serviço de interesse público prestado pelos distribuidores farmacêuticos de serviço completo. Esta é uma das principais conclusões do estudo “Caraterização e impacto da Distribuição Farmacêutica em Portugal”, desenvolvido pela Deloitte Consultores, divulgado ontem, dia 4 de abril, pela Associação de Distribuidores Farmacêuticos (ADIFA).

 

Mostrar a importância do serviço de interesse público prestado pelos distribuidores farmacêuticos de serviço completo, elencar as ameaças à sustentabilidade económico-financeira do setor e analisar as oportunidades de melhoria do circuito do medicamento foram os principais objetivos deste estudo, apresentado no Congresso Nacional da Distribuição Farmacêutica.

O estudo demonstra que os distribuidores de serviço completo desempenham um serviço fundamental para a sociedade. Em média, percorrem diariamente o equivalente a cinco voltas ao mundo, realizando mais de 11 mil entregas (cerca de 800 mil embalagens), garantindo uma gama completa de medicamentos e produtos de saúde às farmácias comunitárias.

A distribuição farmacêutica assegura, em média, três vezes ao dia, um fornecimento atempado às farmácias em qualquer localização geográfica, sem exceção ou diferenciação, com elevados índices de satisfação. O tempo médio de entrega após uma encomenda é de 2,8 horas e, no máximo, uma farmácia aguarda 5,7 horas, fator essencial para a coesão territorial e para o acesso das populações isoladas à terapêutica.

Ao analisar a situação económico-financeira do setor, o estudo revela que a distribuição farmacêutica é o elo da cadeia de valor com a rentabilidade mais baixa, apresentando um EBITDA médio anual de apenas 1,2%.
Os resultados líquidos do setor demonstram as dificuldades e pressão económico-financeira das empresas. Entre 2010 e 2017, a rentabilidade líquida média foi de 0,4%, havendo anos em que, inclusivamente, o setor registou prejuízo.

“A ADIFA tem vindo a manifestar a sua preocupação com a sustentabilidade da cadeia de valor do medicamento, que, nos últimos anos, tem sido sujeita a enormes constrangimentos. Em concreto, o mercado de ambulatório de medicamentos sofreu, desde 2008, uma redução superior a 640 milhões de euros (-22,8%), devido à degradação dos preços dos medicamentos, situação agravada por uma queda das margens de comercialização da distribuição farmacêutica de aproximadamente 23%. Estas circunstâncias resultam numa enorme pressão sobre o setor, que quer continuar a prestar um serviço de qualidade às farmácias e, consequentemente, à população portuguesa, mas precisa de meios para tal”, alerta o Dr. Diogo Gouveia presidente da Associação.

Por último, quando se avalia o valor acrescentado que a distribuição farmacêutica traz ao sistema de saúde nacional, conclui-se que, para além do serviço público que presta, este setor tem participado em vários programas de saúde pública, nomeadamente o Programa Troca de Seringas, a Via Verde do Medicamento, o projeto-piloto de Dispensa de Medicamentos Antirretrovirais nas Farmácias, o Projeto-Piloto de Vacinação contra a Gripe nas Farmácias de Loures, entre outros.

O presidente da ADIFA adianta que os distribuidores farmacêuticos de serviço completo “defendem que se deverá avançar com a transição de alguns medicamentos de uso exclusivo hospitalar para o meio ambulatório, em linha do que já é praticado na Europa, assim como a expansão dos programas de saúde pública, o outsourcing da logística hospitalar e a otimização do mecanismo Via Verde do Medicamento”.

Perspetivando o futuro, o Dr. Diogo Gouveia assinala que “a situação do setor da distribuição é manifestamente frágil e, neste sentido, as políticas de definição de preços dos medicamentos e de regulação do setor da saúde devem ser projetadas para contribuir para a sustentabilidade dos diversos agentes económicos, essenciais para continuar a garantir a acessibilidade dos cidadãos aos medicamentos, dispositivos médicos e produtos de saúde.”

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