"Travar a progressão da doença de Parkinson está cada vez mais perto de ser uma realidade"
13/03/2019 11:08:58
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"Travar a progressão da doença de Parkinson está cada vez mais perto de ser uma realidade"

O Congresso Nacional da Sociedade Portuguesa de Doenças do Movimento (SPDMov) decorre nos dias 15 e 16 de março, no Hotel Curia Palace, na cidade de Aveiro. O estado da arte e os desafios futuros nesta área vão estar em foco no encontro, que este ano se dedica ao tema “A Clínica nas Doenças do Movimento”.

A juntar à doença de Parkinson, o Congresso vai abordar, ainda, a distonia, tremor, ataxia e doenças do movimento na criança.

"Interferir com a acumulação de aglomerados de proteínas no cérebro de doentes com Parkinson ou outras doenças neurodegenerativas, através da remoção dessas proteínas, pode estar a poucos anos de ser uma realidade", afirma o Prof. Doutor Tiago Outeiro, Universidade de Medicina de Goettingen, na Alemanha, que vai marcar presença no Congresso.

“Sabemos hoje que há diferentes aglomerados de proteínas que se acumulam no cérebro dos doentes e estão associadas a patologias como a doença de Parkinson, a doença de Alzhemier ou a doença de Huntington. A aglomeração dessas proteínas é significativamente mais frequente em pessoas que têm uma destas doenças e aumenta à medida que a doença progride”, começa por explicar o investigador. 

De acordo com o especialista, os estudos laboratoriais e os ensaios clínicos que estão a decorrer atualmente visam perceber de que forma é que estes aglomerados de proteínas se formam e se interferir na sua acumulação pode vir a travar a progressão destas doenças neurodegenerativas.

O Prof. Doutor Tiago Outeiro garantiu, ainda, que os resultados dos ensaios clínicos podem chegar dentro de dois ou três anos e que vão poder ser muito elucidativos, independentemente do que provarem. Se se vierem a provar que há efeitos diretos da remoção dos aglomerados proteicos, "pode avançar-se para ensaios em grupos mais alargados e, posteriormente, dar-se a introdução de um novo medicamento no mercado, que será uma nova forma de tratamento", acrescenta.

“Caso os estudos atuais venham a demonstrar que a remoção das proteínas aglomeradas não é suficiente para impedir a evolução da doença, teremos mais claro que a direção a seguir na investigação deve ser outra”, conclui o professor.

O Prof. Doutor Tiago Outeiro vai apresentar resultados da sua investigação e também partilhar com os participantes do congresso o status dos ensaios clínicos que estão a decorrer, a medição dos resultados e avaliação das várias estratégias para interferir com o curso da doença de Parkinson e outras doenças degenerativas. 

A doença de Parkinson é a segunda doença neurodegenerativa mais comum depois da doença de Alzheimer e estima-se que afeta cerca de 20 mil portugueses.

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