Entre consulta e cirurgia, obesos esperam 16 meses pelo tratamento
07/03/2019 14:20:58
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Entre consulta e cirurgia, obesos esperam 16 meses pelo tratamento

Um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), divulgado no dia 6 de março, revelou que há pouca oferta a nível nacional e falta de pessoal, o que provoca demora no tratamento obesidade. A doença afeta quase 17% da população.

 

Das reclamações relacionadas com a obesidade que chegaram à ERS entre 2015 e maio de 2018, 63% diziam respeito ao acesso aos cuidados de saúde nesta área, sobretudo à falta de resposta atempada ao tratamento da doença que afetava, em 2014, 16,6% da população portuguesa.

Os resultados do estudo da ERS sobre Cuidados de Saúde Prestados no Serviço Nacional de Saúde (SNS) na área da Obesidade confirmam as queixas dos utentes, uma vez que esperam, em média, oito meses pela primeira consulta de cirurgia da obesidade e outro tanto pela realização da mesma cirurgia. Ou seja, 16 meses no total. A falta de pessoal é apontada como a principal causa para a espera.

A publicação veio ainda revelar que o problema começa muito antes do encaminhamento para cirurgia. Apesar de a abordagem nacional de combate à obesidade passar pela intervenção precoce e integrada, ao nível dos centros de saúde, em interligação com as escolas, é logo aqui que as coisas começam a falhar. 

“A capacidade de resposta dos cuidados de saúde primários nesta área encontra-se diminuída pela constante carência de nutricionistas nos ACES [Agrupamentos de Centros de Saúde]”, lê-se nas conclusões do estudo.

A zona de intervenção da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo é a mais carenciada nesta matéria, com cada nutricionista a ter sob sua responsabilidade, em 2017, 27.112 utentes. Os dados compilados pela ERS mostram ainda que, no ano anterior, havia 15 ACES do país sem qualquer nutricionista.

Se o processo começa lento, não acelera a partir do momento em que os doentes transitam para a rede hospitalar, conforme se viu atrás. E aqui, a escassez de pessoal e de oferta também é apontada como a principal razão para a demora no tratamento.

Em todo o país há apenas catorze centros de tratamento reconhecidos pela Direção-Geral de Saúde no SNS, e cinco centros privados com convenção com este serviço. A distribuição geográfica também não ajuda. Olhando para a oferta e a procura potencial das populações, a ERS conclui que “a grande maioria dos concelhos de Portugal continental têm um nível de acesso baixo a cirurgias de obesidade”.

 

Fonte: Público


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