Doente com espondilite anquilosante gasta mais de 1.700€ por ano
20/02/2019 14:42:38
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Doente com espondilite anquilosante gasta mais de 1.700€ por ano

O doente com espondilite anquilosante (EA) gasta em média 1.786 euros por ano com a doença e falta ao trabalho 110 dias/ano devido a dispensas, baixas médicas e diminuição da produtividade. Os resultados são do estudo arEA – avaliação de Resultados em Espondilite Anquilosante, realizado pela Nova IMS e Novartis, que acaba de ser apresentado na “Conferência Doença Crónica – Saúde, Trabalho e Sociedade” realizada em Lisboa com a colaboração do Expresso.

 

Do montante referido, cada doente gastou 245 euros em consultas, 48 em urgências, 593 em medicamentos, 151 em exames, 415 em internamentos e 334 em deslocações, indica este estudo demonstrativo do elevado impacto económico da EA para os doentes, para o sistema de Saúde e para o país, apresentado pelo Prof. Doutor Pedro Simões Coelho, coordenador do mesmo.

Neste contexto apurou-se que 30% dos inquiridos disse possuir um sistema complementar de saúde (seguro de Saúde) e que 56% recorreram à saúde privada para consultas (93%), exames (73%) e urgências (30%). Concluiu-se, assim, que o valor gasto num ano em saúde privada com EA em Portugal totalizou 84 milhões de euros. 

O impacto económico total da doença por via dos salários foi, por sua vez, de 437 milhões de euros, enquanto o impacto económico por via da produtividade atingiu 656 milhões de euros. 

No que toca à Saúde Pública apurou-se que 76% dos inquiridos recorreu ao SNS da seguinte forma: 85% para consultas (correspondentes a um custo de 25 milhões de euros), 74% para exames (7 milhões), 48% para urgências (3 milhões de euros) e 8% para hospitalização (112 milhões em internamentos), sendo que o custo dos medicamentos ascendeu a 71 milhões de euros. Deste modo, verificou-se que o SNS gasta por ano 118 milhões de euros com os doentes com EA. 

No que concerne aos especialistas de Medicina Geral e Familiar verificou-se que 70% declarou que a EA – que afeta 47.000 portugueses, aproximadamente cinco doentes em cada 1.000 habitantes – não constitui uma doença relevante na prática clínica. Curiosamente, esta é a perceção dos médicos de MGF que está mais afastada da realidade, já que na sua opinião esse valor seria em média de 56 doentes por 1.000 habitantes, ou seja, cerca de dez vezes mais do que a realidade. 

A esmagadora maioria (90%) reconhece que o diagnóstico é feito com atraso (entre cinco e dez anos) e, em caso de suspeita, 93% referencia estes doentes para o hospital, sendo que 88% o faz para a Reumatologia.

Foi referido também que o tempo de espera médio para obter uma consulta hospitalar, na perceção destes médicos, é de nove meses (variando entre quatro meses na zona da Grande Lisboa e 19 meses no Alentejo), sendo que 83% garantiu não ter qualquer contacto com especialistas para discutir casos clínicos.

Em termos de formação, 54% respondeu ter participado num curso ou ação de formação de EA ou de doenças reumáticas há mais de dois anos, sendo de destacar que 86% mostrou-se interessado em ter formação contínua sobre a patologia. 

A amostra deste estudo incluiu doentes diagnosticados com EA e especialistas de MGF e os dados foram recolhidos entre maio e novembro de 2018, tendo sido obtidas 354 respostas de doentes e 91 de médicos de MGF. 

De referir que nos painéis de debate realizados no decorrer da conferência foi sublinhado que 14 hospitais da rede de referenciação hospitalar não dispõem de Reumatologia, ainda que haja profissionais aptos a iniciar o Serviço, o que para além de ser grave denota má gestão de recursos humanos.

Foi ainda salientada a necessidade de reforçar a verba do OE destinada à Saúde, a importância da prevenção e de evitar o desperdício, bem como as vantagens de uma gestão integrada em prol de mais e melhor saúde para todos.


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