Prof. Doutor Mário Dinis-Ribeiro vence o Prémio BIAL de Medicina Clínica 2018
18/02/2019 16:40:46
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Prof. Doutor Mário Dinis-Ribeiro vence o Prémio BIAL de Medicina Clínica 2018

O Prof. Doutor Mário Dinis-Ribeiro, diretor do Serviço de Gastrenterologia no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e professor catedrático convidado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), venceu o Prémio BIAL de Medicina Clínica 2018 com o trabalho “Cancro Gástrico em Portugal - Como reduzir a mortalidade por cancro gástrico em Portugal”.

 

O trabalho premiado acompanhou, entre 2005 e 2017, cerca de 400 doentes com lesões gástricas malignas ou pré-malignas. A abordagem utilizada permitiu definir novas orientações na deteção e tratamento do cancro gástrico, um dos mais mortíferos em Portugal, sobretudo devido ao diagnóstico tardio e elevada letalidade consequente. Através da realização de endoscopias foi possível remover lesões de forma minimamente invasiva com uma taxa de sucesso livre de complicações de 80 a 85%. Dos doentes abrangidos, a taxa de mortalidade foi de apenas 1% e nunca por complicações ligadas ao cancro gástrico.

O Dr. Luís Portela, presidente da Fundação BIAL, destaca “a elevada qualidade científica da generalidade das obras concorrentes e, nomeadamente, das obras premiadas. Hoje, estamos a premiar alguns excelentes profissionais de saúde. A saúde que se faz em Portugal faz-se bem. Faz-se muito bem na investigação. Faz-se bem nos cuidados. E também já se faz relativamente bem em termos económicos. Mas percebe-se que a saúde em Portugal tem um enorme potencial de desenvolvimento para servir, cada vez melhor, os interesses de saúde da humanidade, com proveito económico para o país. A Fundação BIAL pretende continuar a contribuir para a investigação e para a divulgação da ciência na área da saúde, sobretudo em Portugal, mas também na Europa e no mundo”.

“A apoiar a ciência que tem beneficiado a humanidade com soluções terapêuticas cada vez mais eficazes, proporcionando melhores condições de vida e maior esperança de vida. A apoiar a saúde que queremos cada vez melhor, cientes de que atualmente tem de haver um grande rigor na utilização dos recursos, para ser possível o percurso inovador e bem-sucedido que tem sido feito no mundo em geral e também em Portugal. Os vencedores desta edição do Prémio BIAL de Medicina Clínica são um exemplo de como a investigação pode melhorar e muito a prática clínica, introduzindo novas guidelines no tratamento de doentes que são aplicáveis em qualquer parte do mundo”, adianta.

O vencedor do Prémio BIAL de Medicina Clínica, Prof. Doutor Mário Dinis-Ribeiro, que lidera uma linha de investigação clínica no CINTESIS, salienta do seu trabalho o papel da endoscopia na deteção precoce do cancro gástrico ou de lesões percursoras de cancro, substituindo, em muitas situações, a cirurgia. No trabalho apresentado são também expostas recomendações inerentes aos principais fatores de risco associados ao cancro gástrico: a infeção pelo Helicobacter pylori e hábitos dietéticos errados, incluindo o consumo aumentado de sal e o tabaco.

O Prof. Doutor Mário Dinis-Ribeiro explica que “os resultados obtidos permitem retirar dois tipos de conclusões e abordagens para prevenir e tratar o cancro gástrico. Por um lado, ao nível da prevenção, é muito importante alertar a população para fatores de risco como o tabaco e o consumo de sal. Por outro, e se queremos diminuir a prevalência do cancro gástrico, devemos evoluir para o tratamento precoce das lesões através da endoscopia alta e evitar que estas evoluam”.

“Coloca-se em cima da mesa a recomendação do rastreio do cancro gástrico e, tendo analisando o custo-eficácia, aconselhamos que seja feita uma endoscopia em simultâneo com uma colonoscopia. Quando o doente é rastreado ao cancro do cólon e do reto deverá também ser submetido a uma endoscopia, estando desta forma sinergicamente também a rastrear o cancro gástrico”, realça o também presidente-eleito da European Society of Gastrointestinal Endoscopy e presidente da Sociedade Portuguesa de Endoscopia Digestiva.

Atualmente, o único rastreio recomendado relativamente ao tubo digestivo é o do cancro colorretal, a partir dos cinquenta anos de idade. O especialista conclui com uma chamada de atenção para “o papel dos decisores em saúde para considerar o adenocarcinoma gástrico na agenda da saúde em Portugal”.

Aproximadamente um em cada 60 indivíduos vem a sofrer de cancro gástrico em Portugal. É estimado que até 2035 se observe um aumento em cerca de 30% no número de novos casos e mortes na Europa. Portugal apresenta a mesma tendência, com um aumento dos atuais 3.018 para 4.082 casos e de 2.285 para 3.172 mortes. Em menos de 20 anos, o cancro gástrico representará a causa de morte para nove portugueses todos os dias.

O presidente do júri do Prémio BIAL de Medicina Clínica 2018, Prof. Doutor Sobrinho Simões, salienta “a relevância dos resultados obtidos pela investigação premiada e suas implicações nas ‘guidelines’ nacionais e internacionais de abordagem ao cancro gástrico. Este é um trabalho de grande impacto, num cancro que não tem sido considerado um problema na Europa, mas que tem uma taxa de mortalidade assustadora”.

“Com estes resultados fica demostrado o custo-eficácia da endoscopia digestiva alta na deteção precoce e, consequentemente, no tratamento das lesões, um tratamento, sublinhe-se, minimamente invasivo face à tradicional intervenção cirúrgica. Fica aqui demostrada a importância de apostar na investigação em medicina clínica e de como ela pode ser decisiva na busca de melhores soluções de tratamento para os doentes, mas também na alocação de recursos financeiros”, conclui.

O júri do Prémio BIAL de Medicina Clínica 2018 decidiu ainda atribuir duas menções honrosas no valor de 10 mil euros.

 

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