Instituto Gulbenkian Ciência recebe donativo de 350 mil euros para formação científica nos PALOP
31/01/2019 16:16:27
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Instituto Gulbenkian Ciência recebe donativo de 350 mil euros para formação científica nos PALOP

O programa de Ciência para o Desenvolvimento do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) recebeu um donativo de cerca de 350 mil euros da farmacêutica Merck, através da Merck Family Foundation (MFF). O donativo vai ser usado para implementar uma nova abordagem que promova o ensino científico e a capacidade de investigação em ciências da vida nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP). 

O montante doado vai apoiar duas iniciativas relacionadas com a criação de kits científicos, “Lab-in-a-Box” e “Lab-in-a-Suitcase”, que serão distribuídos pelas escolas secundárias e universidades de países africanos. O principal objetivo destes kits é estimular a componente experimental, tanto na vertente educacional como na investigação.

O kit "Lab-in-a-Box" é uma caixa que contém os materiais necessários para fazer cerca de 60 experiências nas áreas de biologia, física e química. É acompanhado por um manual de protocolos, desenvolvido por um grupo de voluntários do IGC, do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, e do projecto Simple Tasks Great Concepts, da Índia, facilitando o desenvolvimento de experiências em sala de aula e integradas com o currículo escolar do ensino secundário. Por sua vez, o kit "Lab-in-a-Suitcase" é um kit plug and play que consiste num laboratório de baixo-custo, portátil passível de ser personalizado.

Os kits surgem como resposta à falta de equipamentos e infraestrutura laboratorial, possibilitando o ensino experimental avançado e o desenvolvimento de investigação científica, principalmente nas ciências da vida. 

Este projeto procura alavancar a investigação científica e o ensino experimental das ciências nos PALOP, ultrapassando o modelo de ensino tradicional.

A Merck Family Foundation vai suportar, assim, a maior parte dos custos operacionais deste programa em África, incluindo a criação de cinco protótipos do "Lab-in-a-Suitcase". O apoio surge na sequência de um piloto do "Lab-in-a-Box" apoiado pelo IGC, pelo Instituto Camões e pela UNESCO, a decorrer em Cabo Verde, e de fundos da câmara municipal de Oeiras, cujo objectivo global é apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico. 

“É com muito agrado que o Instituto Gulbenkian de Ciência em conjunto com a Merck Family Fundation levam a cabo este projeto inovador com uma oferta mais prática na formação de futuros cientistas e investigadores. O programa de Ciência para o Desenvolvimento é um exemplo de como procuramos proporcionar a qualidade de ensino além fronteiras, neste caso a países africanos onde muitas vezes a falta de infraestruturas se torna um obstáculo ao ensino e investigação”, afirma a Prof.ª Doutora Mónica Bettencourt Dias, diretora do IGC.

“Desde o primeiro momento em que me foi apresentado este projecto percebi o enquadramento perfeito na missão da Merck. Responder ao nosso compromisso de impulsionar o progresso humano passa pela promoção da investigação e, por esse motivo, é com muito orgulho que a Merck Family Foundation se junta a este compromisso de promover e proporcionar um ensino de excelência a estudantes em países africanos. Esta colaboração com o IGC de que muito nos orgulhamos resulta de acreditarmos que ideias brilhantes nascem da curiosidade. A mesma curiosidade que nos leva a inovar há 350 anos”, refere o Dr. Pedro Moura, managing diretor da Merck Portugal.

Este donativo vem na sequência de um apoio que a farmacêutica Merck deu ao Programa de Pós-Graduação Ciência para o Desenvolvimento (PGCD), uma iniciativa do IGC que, desde 2014, possibilita a dezenas de estudantes dos PALOP desenvolver uma tese de doutoramento em instituições Portuguesas e Brasileiras.

A Prof.ª Doutora Joana Gonçalves Sá, diretora do PGDC, que também coordena o projeto, afirma: “Agora que os primeiros cientistas formados pelo PGCD começam a regressar aos seus países de origem, torna-se claro que a criação de infraestrutura científica não acompanhou o desenvolvimento dos recursos humanos. O "Lab-in-a-Suitcase" surge como uma resposta direta à necessidade de reduzir o brain drain e de permitir que estes cientistas continuem a sua investigação, nos seus países. O nosso objetivo de longo prazo é conseguir reduzir os custos da ciência, facilitando a sua democratização efetiva”.

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