Biolocker, a nova tecnologia que previne a formação precoce da placa bacteriana sem efeitos antimicrobianos
10/12/2018 12:50:50
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Biolocker, a nova tecnologia que previne a formação precoce da placa bacteriana sem efeitos antimicrobianos

Acaba de ser desenvolvida uma nova tecnologia, baseada numa molécula orgânica natural, que impede a formação de placa bacteriana, a principal responsável pelo surgimento de cárie e de outras patologias dentárias. O trabalho de investigação é da autoria de uma equipa multidisciplinar da Faculdades de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e de Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC).

A Biolocker, assim denominada pelos seus inventores, quando chegar ao mercado – o que deverá acontecer dentro de dois anos – representará uma mudança de paradigma na higiene oral, prevenindo a formação precoce da placa bacteriana, sem efeitos antimicrobianos, ao contrário das soluções de cuidados orais clássicas.

Os tradicionais antisséticos são de largo espectro e, por isso, recorrem a uma estratégia de “terra queimada”, eliminando as boas e as más bactérias, o que pode danificar a flora oral residente, que é extremamente benéfica para a saúde geral do organismo.

A grande inovação desta tecnologia “anti-placa”, em processo de registo de patente internacional, “está na capacidade de bloquear as principais interações bacterianas que ocorrem após a ingestão de alimentos, ou seja, impossibilita a ação das bactérias que lideram o processo de formação da placa bacteriana, as designadas colonizadoras iniciais. Como estas bactérias (género streptococcus) funcionam como alicerce, ao retirar a âncora impedimos que todas as bactérias a jusante se possam fixar”. Quem o explica são os Profs. Doutores Daniel Abegão, Filipe Antunes e Sérgio Matos.

“De forma ainda mais simples, podemos dizer que a tecnologia desenvolvida pelos investigadores da UC funciona como uma espécie de revestimento antiaderente, impedindo que as bactérias se agarrem ao esmalte dentário e formem a placa bacteriana. Este novo método “garante proteção por muito mais tempo, durante todo o dia, complementando a eficácia da escovagem, suplantando as limitações dos atuais produtos de higiene oral”, sublinham os investigadores da FCTUC e FMUC.

Em termos de saúde oral, ou mesmo numa perspetiva de política de Saúde Pública, salienta o Prof. Doutor Sérgio Matos, médico dentista e professor da FMUC, a grande mais-valia da Biolocker é a contribuição extraordinária para a prevenção de problemas dentários “permitindo que, através de uma tecnologia massificada e barata, a população passe a ter acesso a uma melhor higiene oral”.
“Em Portugal, a saúde oral é maioritariamente proporcionada por cuidados privados e, consequentemente, muito onerosos. A maneira mais eficaz de podermos combater todas as patologias da cavidade oral é através da prevenção, reduzindo custos com tratamentos”, observa.

Tendo em conta que a “cárie e as doenças gengivais são as patologias infecciosas mais prevalentes no mundo, o desenvolvimento de ferramentas preventivas é essencial”, reforça o investigador.
Outra vantagem desta abordagem, cujo princípio de ação já foi testado e validado, é a sua versatilidade, podendo “ser incorporada em pastas dentífricas, elixires, fio dental ou até pastilhas elásticas”, assinalam os Profs. Doutores Daniel Abegão e Filipe Antunes.

O projeto teve a colaboração do I3S da Universidade do Porto (UP) e foi o único vencedor português da 3.ª edição do Programa Caixa Impulse, no valor de 70 mil euros.


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