Associação de Profissionais Licenciados em Optometria denuncia pressão para exclusão de optometristas do SNS
Associação de Profissionais Licenciados em Optometria denuncia pressão para exclusão de optometristas do SNS

No seguimento do comunicado de imprensa divulgado ontem pela Sociedade Portuguesa de Oftalmologia (SPO) e pelo Colégio da Especialidade da Ordem dos Médicos, em que alertavam para o perigo da inclusão de optometristas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), a Associação de Profissionais Licenciados em Optometria (APLO) mostra-se agora “indignada com as pressões que estão a ser conduzidas” por essas instituições para que “os optometristas não integrem o SNS, ajudando assim a reduzir a lista de espera para primeira consulta de Oftalmologia, que já ultrapassa as 200 mil consultas anuais.

 

Como pode ler-se no comunicado, o Dr. Raúl Sousa, presidente da APLO afirma que “em causa estão duas propostas legislativas, nomeadamente do PAN e do PCP, para que os optometristas integrem os cuidados de saúde primários do SNS e a tentativa para que os mesmos as retirem. A retirada de tais propostas seria, a nosso ver, uma falha no dever de todos os deputados em defender os interesses da população, neste caso, o de melhorar o acesso a cuidados de saúde visuais para todos”.

A Associação afirma ainda que “a Direção-Geral do Ensino Superior classifica os planos de estudos universitários de Optometria exatamente na área da saúde e que os mesmos estão acreditados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior. A APLO é constituída exclusivamente por licenciados de Optometria, sendo que mais de 80% possuem mestrado (cinco anos) ou licenciatura (quatro anos e meio) com estágio profissional incluído, como mínimo, à semelhança de esmagadora maioria dos países europeus e mais avançados no mundo”.

Além disso, a APLO defende que a integração de optometristas no SNS “é a solução para resolver o problema crónico na lista de espera de Oftalmologia e para melhorar o acesso de todos os portugueses aos cuidados necessários para a saúde da visão”.

“A solução que propomos é a abordagem centrada na pessoa com intervenção nos cuidados de saúde primários através da implementação de consulta de Optometria nos centros de saúde, responsável por identificar precocemente as condições anómalas visuais mais prevalentes, como os erros refrativos, suscetíveis de tratamento em cuidados primários e com benefícios significativos na intervenção precoce atempada e na comunidade. Essa é a solução defendida pela Organização Mundial de Saúde e Agência Internacional para a Prevenção da Cegueira e que representa uma mudança do paradigma da prestação dos cuidados para a saúde da visão”.

Segundo o presidente da APLO, “num número crescente de países, os optometristas são frequentemente o primeiro ponto de contato para pessoas com doenças oculares”.

De acordo com os dados disponibilizados pela ACSS existe, em Portugal, uma evidente deficiência de meios ao nível dos cuidados primários de saúde da visão, capaz de reduzir as dificuldades de acessibilidade às primeiras consultas de Oftalmologia.  Em 2017 ficaram por realizar 233 228 consultas.

“Se considerarmos que um optometrista pode realizar em média seis mil consultas por ano espera-se que a implementação de 61 optometristas no SNS consiga acabar com a atual lista de espera. É assim que este problema é resolvido nos países mais desenvolvidos e com a formação em Optometria ao nível da praticada em Portugal.”, conclui o especialista.

 

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