Dia Mundial da DPOC: associações lançam "desafio de cortar a respiração"
21/11/2018 15:05:10
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Dia Mundial da DPOC: associações lançam "desafio de cortar a respiração"

Hoje, dia 21 de novembro, assinala-se o Dia Mundial da DPOC. No âmbito da data, a Associação Portuguesa de Pessoas com DPOC e outras Doenças Respiratórias Crónicas (Respira), a Fundação Portuguesa do Pulmão e a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), representada pelo Grupo de Estudos de Doenças Respiratórias da APMGF, com o apoio da Boehringer Ingelheim, desafiam os portugueses a viver um pouco do dia-a-dia dos doentes com doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

 

Para experienciar as dificuldades das pessoas que vivem com DPOC, a iniciativa vai desafiar os portugueses a tapar o nariz e respirar através de uma palhinha, inspirar e expirar, e fazê-lo, repetidas vezes, para dentro do pequeno tubo.

Os pulmões vão fazer um esforço extra, as mãos vão suar e as pessoas vão poder parar quando quiserem, ao contrário dos 800 mil doentes em Portugal, a quem a doença corta a respiração a cada minuto. Para ajudar na divulgação, pede-se a quem aceitar este desafio que registe, com uma fotografia, esse momento de bravura e o partilhe nas redes sociais, com a hashtag #cortararespiração.

 

“A falta de ar é uma situação assustadora”

“A falta de ar é uma situação assustadora”. A confirmação vem da vice-presidente da Respira, Dr.ª Isabel Saraiva, que afirma que esta iniciativa é uma “forma de chamar a atenção das pessoas para a sua saúde respiratória”, numa altura em que “a DPOC continua a ser subdiagnosticada, já que os sintomas não são valorizados”. A mesma opinião tem o Dr. Rui Costa, especialista do GRESP, revelando que “as pessoas reconhecem a bronquite crónica, mas a DPOC ainda não”.

 

Quais os sintomas da DPOC?

Tosse, cansaço frequente, dificuldades respiratórias são sintomas que, ainda que sentidos por muitos, tendem a ser desvalorizados, sobretudo pelos fumadores, os que mais sofrem com a doença. “90% dos casos de DPOC estão relacionados com o tabaco”, esclarece o Dr. José Alves, da Fundação Portuguesa do Pulmão, que junta outro número: “Um quinto dos fumadores vão desenvolver DPOC”.

É por isso que realça a importância do diagnóstico cada vez mais precoce. “Não podemos esperar pelos 40 anos para fazer as espirometrias, o exame que confirma a DPOC. Temos de o fazer mais cedo, mesmo junto dos fumadores jovens, porque a doença leva a uma perda da função respiratória que não é recuperável”. “Por isso, quando mais cedo for detetada, menor será essa perda”, acrescenta.

O Dr. Rui Costa concorda que a espirometria é “um exame essencial, fundamental e obrigatório”. No entanto, nem sempre de fácil acesso. “A nível nacional, há uma iniquidade no acesso a este exame, que a rede nacional de espirometrias tem procurado colmatar”.

Para os doentes, são vários os desafios. A Dr.ª Isabel Saraiva identifica os principais e começa pela etapa de deixar de fumar. “Isto é muito difícil e não basta dizer que se vai deixar, mas é preciso procurar ajuda juntos das consultas de cessação tabágica”. Manter alguma atividade também nem sempre é tarefa fácil, mas é necessário. “Os doentes devem andar, fazer exercício, mas como se cansam muito, costumam defender-se ficando parados.”

“Os doentes com DPOC são dos mais sedentários”, confirma o Dr. Rui Costa. “Como têm dificuldade em respirar, vão evitando fazer exercício ou atividades da vida diária e isso leva a uma atrofia muscular, por alterações ao nível musculoesquelético. Quanto mais ativo fisicamente, melhor o prognóstico e melhor a sobrevida. Mesmo que seja difícil, em vez de uma caminhada de 30 minutos, devem fazer caminhadas mais curtas, ao longo do dia”.

À necessidade de exercício, o Dr. José Alves junta a reabilitação respiratória, “que historicamente aparece no fim do tratamento, quando não há muito mais a fazer, quando de facto pode e deve ser feita desde o início, mesmo que não haja ainda a questão da falta de oxigénio”. “E pode ser feita por profissionais fora do ambiente hospitalar”, esclarece.

No entanto, como salienta a Dr.ª Isabel Saraiva, ainda que esta seja “uma das formas mais eficazes de dar aos doentes uma melhor qualidade de vida, há poucos centros que o disponibilizam e a maioria são nos hospitais, com ambientes que não são bons para os doentes com DPOC”.

A propósito deste Dia Mundial da DPOC, o Dr. José Alves deixa duas mensagens simples, que podem fazer a diferença. “Quem não fuma, nem vale a pena começar. Para os fumadores, o conselho é fazer o diagnóstico tão precoce quanto o possível.”

 


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019