Dois em cada quatro adultos internados nos hospitais portugueses podem estar em risco de malnutrição
09/11/2018 17:43:12
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Dois em cada quatro adultos internados nos hospitais portugueses podem estar em risco de malnutrição

De acordo com um relatório europeu, dois em cada quatro adultos internados nos hospitais portugueses podem estar em risco de malnutrição. O número estimado de doentes (em risco nutricional ou malnutridos) em contexto ambulatório/domicílio que necessitam anualmente de suporte alimentar com recurso a nutrição clínica, em Portugal, é de cerca 115 mil, quase 1% da população portuguesa.

 

Um doente com carências nutricionais que receba alta hospitalar não tem qualquer apoio do Estado para manter a nutrição clínica no domicílio. Portugal é dos poucos países europeus que não comparticipa os alimentos/produtos associados à nutrição clínica ou presta qualquer apoio aos cuidadores.

Os encargos anuais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) com o tratamento das consequências clínicas da malnutrição rondam os 255 milhões de euros, por extrapolação dos dados económicos publicados em Espanha, para a população portuguesa.

De acordo com o chairman da organização local/portuguesa ONCA, médico intensivista e responsável pela Unidade de Cuidados Intensivos I do Hospital de Santo António, Dr. Aníbal Marinho, “é importante permitir a acessibilidade do doente à nutrição clínica quer em ambiente de ambulatório, quer no domicílio, de forma equitativa e sem qualquer tipo de discriminação”.

Para debater estes assuntos vai decorrer entre os dias 12 e 13 de novembro, em Sintra, uma Conferência Internacional que junta diversas entidades do sector da Saúde e que é promovida pela Campanha Optimal Nutritional Care for All (ONCA). Esta é da responsabilidade da European Nutrition Health Alliance (ENHA), organismo que apoia os diferentes países, entre os quais Portugal, na implementação do rastreio nutricional e na otimização dos cuidados nutricionais. Portugal é membro efetivo desta campanha internacional desde 2016 e foi selecionado para organizar a Conferência este ano, entre um leque de 18 países.

De salientar que os membros da ONCA defendem que a erradicação da malnutrição por carência resultaria numa redução significativa dos encargos para o SNS estimando-se uma poupança anual líquida superior a 166 milhões de euros. Por cada um euro investido nesta terapêutica nutricional o SNS pouparia 1,86 euros.

 

Consequências da malnutrição por carência

A malnutrição de um doente compromete ainda mais a sua saúde, já debilitada, e traz outras consequências que podem ser fatais para o doente: o risco de infeções é 3x superior nos doentes malnutridos; pode desenvolver escaras; má cicatrização das feridas crónicas; complicações pós-operatórias, como pneumonia e insuficiência respiratória; pode provocar o aumento da mortalidade em crianças, adultos e idosos; compromete a mobilidade e a manutenção da independência do doente.

O Dr. Aníbal Marinho aponta a malnutrição por carência como “um grave problema de Saúde Pública, que afeta milhares de pessoas em todo o mundo e que custa anualmente 170 mil milhões só a nível europeu”.

Pode ainda acarretar custos socioeconómicos elevados, tanto para os doentes como para o SNS, uma vez que leva ao prolongamento de internamentos hospitalares e ao aumento da taxa de reinternamentos.

 

 


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