Evidências robustas demonstram que o tratamento da hepatite C é eficaz em pessoas que injetam drogas
21/09/2018 10:41:02
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Evidências robustas demonstram que o tratamento da hepatite C é eficaz em pessoas que injetam drogas

Uma investigação do Kirby Institute, apresentada hoje, dia 21 de setembro, no 7th International Symposium on Hepatitis Care in Substance Users, em Cascais, e publicada no The Lancet Gastroenterology and Hepatology, fornece a evidência científica mais robusta até o momento para apoiar a eliminação das restrições ao acesso à terapêutica da hepatite C com base no uso recente de drogas. Em entrevista à News Farma, o autor principal da investigação, Behzad Hajarizadeh, do Viral Hepatitis Clinical Research Program do Kirby Institute, avança os principais objetivos do estudo e as conclusões aferidas pelos investigadores. Assista ao vídeo.

Globalmente, mais de uma em cada três pessoas que injetaram drogas no último ano vive com hepatite C. Os novos tratamentos conseguem curar a hepatite C em mais de 95% das pessoas, mas em muitos países o tratamento é inacessível para pessoas que injetam drogas, devido a restrições de reembolso de tratamento relacionadas com o uso recente de drogas por um indivíduo. Para além disso, muitos médicos hesitam em prescrever a terapêutica da hepatite C a pessoas que usam ou injetam drogas, pois há preocupações quanto à adesão e à chance de reinfeção.

Os resultados da investigação agora apresentada mostram que a terapêutica da hepatite C em pessoas que injetam drogas é muito favorável. Em quase 40 estudos em todo o mundo, envolvendo mais de 3.500 pessoas com uso recente ou continuado de drogas, a hepatite C foi curada em quase nove em cada 10 pessoas. Foi realizada uma revisão sistemática, o que significa que foram examinadas todas as evidências disponíveis de estudos realizados globalmente sobre este tópico.

“Não se deve negar às pessoas a possibilidade de tratamentos que salvam vidas, simplesmente por causa do uso recente de drogas", afirma Jason Grebely, professor associado do Kirby Institute e presidente do International Network of Hepatitis in Substance Users (INHSU). “Políticas que negam o tratamento da hepatite C a pessoas que usam ou injetam drogas são inaceitáveis e movidas pela discriminação, em oposição à evidência. Espero que a nossa investigação encoraje os países a derrubar essas políticas e permitir o tratamento para todas as pessoas que vivem com hepatite C, independentemente do uso de drogas atual ou anterior. De fato, dadas as altas taxas de prevalência, as pessoas que injetam drogas devem ser priorizadas para o tratamento”.

A Austrália tem oferecido um amplo acesso ao tratamento da hepatite C através do seu Esquema de Benefícios Farmacêuticos (PBS) desde março de 2016 e, como resultado, o país já está a ver reduções significativas da hepatite C entre pessoas que usam drogas injetáveis. Uma análise do Kirby Institute constatou que a prevalência de infeção ativa por hepatite C entre pessoas que participaram em programas de troca de agulhas e de seringas diminuiu de 43% para 25% entre 2015 e 2017, coincidindo com a listagem do PBS.

“A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu uma meta para eliminar a hepatite C até 2030", refere Jason Grebely. “Os nossos dados fornecem evidências robustas para se constituírem fontes de informação para diretrizes clínicas globais e esperamos que melhorem a política de saúde pública para o tratamento da hepatite C em pessoas que usam drogas, internacionalmente. Isso aproximar-nos-á da ambiciosa meta da eliminação global”, conclui.

O 7th International Symposium on Hepatitis Care in Substance Users (INHSU 2018) está a decorrer em Portugal, país onde o uso de drogas ilícitas foi descriminalizado em 2001. Na passada terça-feira, 18 de setembro, investigadores, políticos e delegados internacionais estiveram reunidos no Parlamento português no Joint Action Policy Day, uma iniciativa do INHSU e da UNITE, uma rede global de parlamentares desenvolvida para acabar com o VIH/SIDA, hepatites virais e outras doenças infecciosas. Membros de diferentes parlamentos a nível mundial e outras organizações envolvidas no tema assinaram a ‘Global Declaration to Eliminate Hepatitis C in People Who Use Drugs’, onde pedem aos decisores políticos mundiais que adotem a meta da OMS para eliminar a hepatite C como uma ameaça global à saúde pública até 2030. A Declaração delineia sete ações para fechar a “lacuna entre o impacto global da hepatite C na saúde e bem-estar de pessoas que usam drogas e o acesso limitado a serviços baseados em evidências eficazes para a prevenção, diagnóstico e tratamento da infeção pelo vírus da hepatite C”.

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