SPMI alerta: baixos níveis de literacia em saúde na população portuguesa podem condicionar diagnóstico e terapêutica
07/09/2018 11:22:37
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
SPMI alerta: baixos níveis de literacia em saúde na população portuguesa podem condicionar diagnóstico e terapêutica

De acordo com um estudo da Fundação Calouste Gulbenkian, 49% dos portugueses apresentam níveis limitados de literacia em saúde. Os grupos com menor conhecimento em saúde são, entre outros, idosos, doentes crónicos e pessoas com baixos rendimentos. Face a esta realidade, e no âmbito do Dia Mundial da Literacia, que se celebra amanhã, 8 de setembro, a Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) alerta para a possibilidade de o diagnóstico e a terapêutica estarem em risco.

Segundo a investigação, 38% da população portuguesa apresenta um nível “problemático” e 11% “inadequado” de literacia em saúde.

Entre os grupos com menor conhecimento em saúde estão os idosos e as pessoas com doença crónica ou prolongada e com baixos rendimentos e níveis escolares. Os grandes usuários dos serviços de saúde estão também incluídos neste conjunto. Aqui, os níveis de literacia chegam mesmo a ultrapassar os 60%.

“Nada disto é surpreendente e apenas reforça a necessidade de haver um tratamento integrado do doente crónico complexo, com uma grande entreajuda entre a Medicina Interna no hospital e a Medicina Geral e Familiar no ambulatório. Estes doentes são idosos, têm de ser vistos com frequência, muitas vezes no domicílio, onde estão sós e com grandes dificuldades de mobilidade”, explica o presidente da SPMI, Dr. João Araújo Correia.

De acordo com a SPMI, uma problemática que surge ainda associada a esta realidade é o facto de, muitas vezes, os conhecimentos serem adquiridos em locais inapropriados, como é exemplo a internet. Por isso, a Sociedade considera ser fundamental que a informação seja sempre corrigida pelo médico quando provém da opinião pública, que nunca tem em conta a especificidade de cada doente.

Nestes casos, o especialista alerta para o perigo de se “colocar em causa o diagnóstico e a terapêutica”.

“Tomar o medicamento que fez bem ao vizinho e acreditar no diagnóstico do familiar conhecedor, foram sempre ‘travessuras’ dos doentes, muitas vezes não confessadas aos médicos”, destaca ainda o Dr. João Araújo Correia.

“A internet é como se fosse uma enorme vizinhança, cheia de opiniões e mitos, com pouca evidência científica”, o que para o presidente da SPMI pode “constituir um risco, caso o doente se julgue autónomo e suficientemente sabedor, considerando o médico dispensável”.

Reforçar a relação médico-doente

Uma das soluções passa pelo reforço da relação entre o médico e o doente, de forma a consolidar a posição dos profissionais de saúde como o meio privilegiado de obtenção de informação.
Para o especialista, a resposta está no tempo que o médico deve conceder ao doente para este expor as suas dúvidas.

“Cabe ao médico corrigir as anomalias, dando tempo ao doente para expor tudo o que aprendeu na internet e tem como certo, explicando, sem sobranceria, como é a leitura correta da informação obtida”.

“Saber ouvir é absolutamente essencial para a criação da empatia entre o médico e o doente, que gera a confiança e a abertura de espírito, para a obtenção dos melhores resultados em saúde”, conclui o Dr. João Araújo Correia.


Pesquisa

Publicações

Prev Next

Médico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Farmacêutico News, 37, janeiro/fevereiro 2019

Hematologia e Oncologia, 24, dezembro 2018

15.º Congresso Português de Diabetes, n.3

  SIDA, 37, janeiro/fevereiro 2019