Investigação do i3S descobre “gene da juventude” que pode reverter o envelhecimento celular da pele
23/08/2018 12:35:36
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Investigação do i3S descobre “gene da juventude” que pode reverter o envelhecimento celular da pele

Um estudo conduzido por uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade de Porto (i3S) concluiu que o envelhecimento das células da pele está intimamente relacionado com a expressão de um gene, o FoxM1. A investigação, liderada pela Dr.ª Elsa Logarinho, foi publicada na Nature Communications no último dia 19 de julho.

 

Os investigadores, utilizando como recurso as células da derme em cultura, conseguiram, ao aumentar a expressão deste gene, reverter as características de envelhecimento celular.

O estudo foi feito a partir de culturas primárias de um tipo de células específico da pele, chamadas fibroblastos. Para tal, a equipa recorreu a “células vivas de fibroblastos primários dérmicos de humanos jovens, de meia-idade e de idade avançada, bem como a células de pacientes com progeria, uma síndrome rara de envelhecimento acelerado em crianças”, explica a coordenadora do estudo.

Depois de analisados e comparados centenas de genes com expressão alterada de células da pele, a equipa concluiu que o gene FoxM1 – aquele que controla a entrada da célula em divisão – parece ser um fator-chave no processo de envelhecimento. Isto porque está reprimido ou menos expresso em células envelhecidas.

Como a Dr.ª Elsa Logarinho explica, “ao longo da nossa vida as células, particularmente as da pele, dividem-se constantemente para renovação dos tecidos”, sendo que vão perdendo essa capacidade de renovação ao longo do tempo. Esta situação pode justificar-se pelos erros genéticos e cromossómicos acumulados por divisões sucessivas.

Através de mecanismos de autocontrolo, a célula entra numa fase estacionária chamada senescência e deixa de se renovar. A consequência visível dessa falta de renovação são as características físicas do envelhecimento, muito evidentes na pele, o órgão mais extenso do nosso organismo e o mais exposto às agressões ambientais.

“Uma das características das células da pele mais envelhecidas são as aneuploidias, um número anómalo de cromossomas, erros que estarão na base do próprio processo de envelhecimento, uma vez que, ao detetar esses erros, as células deixam de proliferar”, destaca a Dr.ª Joana Macedo, primeira autora da publicação.

As investigadoras verificaram que, ao aumentarem a expressão do FoxM1 numa cultura de células envelhecidas, as poucas células que ainda mantêm alguma capacidade de se dividirem conseguem recuperar as características das células jovens, corrigindo erros e dividindo com maior frequência.

Tendo em conta que este rejuvenescimento ocorre apenas nas células ainda funcionais, os autores acreditam que o FoxM1 deve ser considerado para eventuais estratégias contra as síndromes do envelhecimento.

 

Fonte: Universidade do Porto

 

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