A decisão, tomada em 2015, de tratar de forma universal e gratuita todos os doentes com hepatite C veio permitir que os tratamentos fossem iniciados em fases mais precoces da doença. Jorge Rodrigues, perito do Infarmed, refere que “os doentes estão a ser tratados mais cedo” e que o facto de haver pouca espera entre o diagnóstico e tratamento leva a que comecem a ser tratados em fases mais iniciais de doença hepática.
Contudo, as associações de doentes estão a receber queixas de atrasos no acesso ao tratamento, devido às alterações no início do ano das regras de financiamento para a compra de medicação para a hepatite C, cujo pagamento passou a ser feito pelos hospitais. Emília Rodrigues, presidente da SOS Hepatites, avança que “os doentes estão entre 8 a 12 meses há espera que a medicação lhes seja disponibilizada”, acrescentando que “os únicos hospitais que estão neste momento a fornecer a medicação dentro do prazo normal, até 2 meses, são o Santa Maria e o Egas Moniz”. “Não podemos admitir que o doente se cure em 12 semanas e esteja 12 meses há espera da medicação”. Neste sentido, Emília Rodrigues sugere que “voltemos atrás e que seja a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) novamente a fazer o pagamento da medicação”.
A presidente da SOS Hepatites denuncia ainda que este atraso no acesso à medicação tem culminado no aumento do número de doentes com hepatite C que desenvolvem cancro. “Se temos um medicamento que cura o doente entre 8 a 12 semanas, não há necessidade de deixar progredir a doença”, sublinha Emília Rodrigues. Também aqui os dados avançados pelo Infarmed parecem não coincidir com esta realidade: há três anos eram 57% os doentes em tratamento que estavam em estadios avançados da doença, com fibrose grave ou cirrose; atualmente, em 2018, estes dados inverteram-se, sendo que mais de 54% dos doentes estavam em estadios menos avançados e 45% é que se encontravam em fase mais avançada da doença.













