A insuficiência cardíaca apresenta uma elevada prevalência de comorbilidades e uma elevada taxa de mortalidade, sendo, por isso, apelidada de uma ameaça à Saúde Pública. Além disso, representa grandes encargos no Orçamento da Saúde. Geralmente, os fatores de risco associados à patologia são antecedentes de doença coronária ou de enfarte do miocárdio, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, diabetes, tabagismo e obesidade. São também indicadores de idade avançada.
Tendo em conta que Portugal é, de facto, um país envelhecido, esta é uma doença que pode alcançar níveis devastadores em poucos anos. De acordo com o recente estudo “Insuficiência cardíaca em números: estimativas para o século XXI em Portugal”, é expectável que, tendo por base dados relativos ao ano de 2011, a prevalência de insuficiência cardíaca no país aumente cerca de 30% até 2035 e 33% até 2060.
Assim, a doença vai afetar aproximadamente 480 mil pessoas em 2035, podendo este número aumentar para 495 mil em 2060.
Segundo o Relatório de 2017 do Instituto Nacional de Estatística, o envelhecimento populacional no nosso país só abrandará daqui a quatro décadas, altura em que serão 7,5 milhões a habitar o território nacional. A faixa etária jovem será bastante afetada, uma vez que, do atual milhão e meio, passará a representar somente 0,9 milhões. A situação oposta verifica-se no grupo etário acima dos 65 anos, que passará de 2,1 milhões para 2,8 milhões. Isto significa que, no ano de 2080 haverá 317 idosos, por cada 100 jovens.
“Combater o avanço das doenças cardiovasculares, nomeadamente da insuficiência cardíaca, é uma prioridade nacional”, afirma o Prof. Doutor João Morais. Para tal, o presidente da SPC refere ser “necessário atuar em conjunto com a Tutela e com a Sociedade Civil, através de medidas de prevenção e de literacia na área da saúde cardiovascular”.













