O corpo humano é composto por milhões de células que comunicam entre si e com o meio ambiente utilizando pequenas antenas, chamadas cílios, que emitem e recebem sinais, incluindo som, cheiros e luz. Sabe-se que estes cílios estão alterados em várias doenças levando a, entre outros sintomas, infertilidade, perda de visão e obesidade.
Desta forma, o estudo em causa contribui para perceber de que forma esta diversidade de funções ocorre, ajudando os profissionais de saúde a compreender melhor as doenças dos cílios, ou seja, ciliopatias.
“Uma consequência interessante desta nossa descoberta é que ela pode explicar um mistério relacionado às doenças genéticas associadas aos cílios. Essas doenças afetam, geralmente, apenas alguns tecidos com cílios, e não todos. Pode ser cego, sem ser infértil. Pode ser infértil, sem ser obeso”, refere a Dr.ª Mónica Bettencourt-Dias, coordenadora do estudo.
“Como observamos que muitos componentes importantes à construção dos alicerces dos cílios estão presentes em diferentes proporções e diferentes alturas no espaço e tempo, apenas em alguns tecidos e não em outros, as suas mutações, que acontecem nas doenças genéticas, só mostrarão sintomas alguns dos tecidos, explicando o mistério”, acrescenta a especialista.
Para o desenvolvimento da investigação, os cientistas serviram-se de imagens altamente avançadas, como tomografia eletrónica e super-resolução, para visualizar as antenas que são 100 vezes mais pequenas do que a ponta de um dos nossos cabelos, revelando assim a sua diversidade na estrutura e nos componentes.
“Como todos os alicerces ciliares começam com uma estrutura semelhante, ficamos surpreendidos ao observar que se tornam eventualmente tão diversos”, sublinha o Dr. Swadhin Jana, um dos autores do estudo.













