Para o estudo recolheram-se dados de todos os doentes azoospérmicos do IVI Barcelona submetidos a biopsias testiculares ente 2004 e 2017. De uma amostra total de 96 homens analisaram-se diferentes parâmetros, nomeadamente a idade, duração da esterilidade, nível de FSH, índice de massa corporal (IMC), tamanho dos testículos e tipo de patologia, e a sua associação com o sucesso da biopsia.
Num comunicado divulgado à comunicação social, a especialista refere que “em doentes com azoospermia obstrutiva somos capazes de recuperar espermatozoides até 100% dos casos. No entanto, em homens com azoospermia secretora a percentagem baixa para 29%, que seriam os mais beneficiados se conseguíssemos um diagnóstico utilizando um método não invasivo".
Atualmente, estão a ser pesquisados diferentes tipos de marcadores. Mas, até ao momento, não existe consenso a nível científico. Este estudo verificou que em função do volume testicular é possível “estimar de forma bastante viável a presença de espermatozoides no testículo”. Neste sentido, o IVI refere que se encontra a trabalhar para "conseguir outros tipos de marcadores, e na próxima fase, a investigação estará focada em localizar proteínas e micro RNA das amostras de doentes azoospérmicos que permitam prever se o testículo é funcional”.
Já a Dr.ª Rocío Rivera do IVI Valencia estudou as diferenças no perfil proteico das amostras de diferentes doentes, comparando entre aqueles, que graças à fecundação mediante ICSI conseguiram obter uma gravidez, com os que falharam. O objetivo passou por, depois da análise das proteínas que compõe os espermatozoides, identificar quais estão relacionados com o sucesso ou fracasso reprodutivo. Para estandardizar o máximo possível o fator feminino, optou-se em todos os doentes por tratamentos com doação e ovócitos.
De acordo com a especialista, a investigação permitiu conhecer e descrever "o perfil proteico das amostras, tanto as que originaram gravidezes, como as que não". "Concluímos que existem diferenças em relação às proteínas, e que estas podem servir como marcadores que nos permitem separar os espermatozoides suscetíveis de engravidar, das que não. Indo além, mediante a técnica MACS, poderia pensar-se em enriquecer uma amostra com espermatozoides que contenham proteínas ótimas para serem utilizadas em tratamento de reprodução", acrescenta.













