Implementada com um investimento de 10 milhões de euros, a fábrica permite agora criar empregos altamente qualificados. Com a instalação da nova unidade, Portugal será o único país do mundo a produzir um medicamento revolucionário para o tratamento da hipercaliemia (níveis elevados de concentração de potássio no sangue), permitindo melhorar significativamente a vida de pessoas com doenças cardíacas e renais, habitualmente afetadas por esta condição.
A nova fábrica tem uma área total de 3.900m² e terá uma capacidade para produzir 40 milhões de saquetas por ano. As vendas deste medicamento, aprovado em 2017 pela European Medicines Agency (EMA) têm como destino todo o mundo, incluindo os Estados Unidos da América (EUA). Num comunicado divulgado à comunicação social, a OM Pharma refere que "a estratégia de mercado que inicialmente excluía os EUA, teve que ser reorientada, após o sólido potencial de crescimento do projeto, evidenciado durante a sua implementação no terreno".
O diretor-geral da OM Pharma, Dr. António Jordão, frisa que “esta unidade será a primeira fábrica europeia a fornecer este tratamento tanto para o mercado europeu como para todo o mundo” e sublinha que “este projeto terá impacto na economia nacional e permitirá ao país participar num esforço mais alargado para ajudar os doentes com insuficiência renal crónica e com insuficiência cardíaca a controlar a hipercaliemia, uma doença grave, muitas vezes assintomática, que pode resultar em morte”.
De acordo com a OM Pharma, a localização desta nova fábrica em Portugal foi definida através de um rigoroso processo com elevados critérios de qualidade e de performance financeira, num concurso que incluiu países como a Alemanha, Suíça e Áustria.
Fármaco permitirá melhorar a vida dos doentes no imediato e ao longo dos anos
Espera-se que, ao terem a possibilidade de receber os tratamentos adequados para a insuficiência cardíaca e para a doença renal crónica, os doentes obtenham mais e melhores anos de vida. Adicionalmente, os doentes poderão ver menos restringida a sua dieta, uma vez que muitos alimentos necessários a um estilo de vida saudável aportam grandes quantidades de potássio.
A insuficiência cardíaca, é uma das patologias em que o fármaco terá maior impacto. Estima-se que esta patologia atinja 26 milhões de pessoas em todo o mundo, estando previsto que em 2035 este número aumente em 30%. Para além do elevado número de doentes, espera-se ainda que a mortalidade e hospitalizações associados à insuficiência cardíaca aumentem significativamente o impacto económico da mesma.
É habitual que doentes com insuficiência cardíaca, renal e diabetes sejam medicados com um grupo de fármacos chamados inibidores do sistema renina-angiotensina-aldosterona (RAASI). Este tipo de medicamento é administrado na dose mais elevada tolerada pelo doente, fazendo com que muitos doentes desenvolvam hipercaliemia. Esta situação implica a redução das doses terapêuticas ou mesmo suspensão do tratamento, impedindo-os de obter o benefício esperado.
O novo medicamento, patiromer, permitirá aos doentes receber doses adequadas da terapêutica para a insuficiência cardíaca e doença renal crónica, contribuindo assim para um melhor tratamento desta população.













