A amiloidose ATTRh é provocada por uma mutação no gene da transtirretina (TTR). É uma doença autossómica dominante, o que significa que apenas uma cópia do gene mutado, herdada de um dos progenitores, é suficiente para manifestar a doença. A mutação faz com que a proteína TTR se reproduza anormalmente e se acumule como fibras amiloides em vários órgãos. Existem mais de 130 mutações deste gene descritas, mas a mais frequente no mundo e em Portugal é a valina 30 metionina (V30M), vulgarmente conhecida como paramiloidose.
Esta mutação surge, sobretudo, em adultos jovens, entre os 20 e os 40 anos de idade, sendo que os primeiros sintomas passam por, entre outros, dor neuropática, alterações sensoriais à dor e à temperatura, dormência e formigueiro, fraqueza muscular, desequilíbrio, dificuldade em caminhar e alterações gastrointestinais.
Atualmente, o tratamento da amiloidose ATTRh passa pelo controlo dos sintomas ou pelo transplante hepático, em doentes elegíveis. Contudo, as opções terapêuticas não impedem o registo de comorbilidades. Estas apenas interferem com a proteína, mas não diretamente na sua causa. Os novos tratamentos com base no RNAi foram desenvolvidos para silenciar as proteínas indesejadas ou danificadas desde a sua origem, sendo um processo celular natural com o potencial de “abafar” os genes que estão na origem da doença.
“A investigação em torno do RNAi tem demonstrado que este mecanismo de silenciamento das células apresenta um potencial de tratamento totalmente inovador”, explica a Dr.ª Alicia Folgueira, diretora-geral da Alnylam para Portugal e Espanha, companhia farmacêutica líder na tradução do RNAi.
“A Alnylam está, por isso, a desenvolver e investir numa nova e inovadora classe de fármacos baseados no RNAi, com o compromisso de disponibilizar aos doentes terapêuticas eficazes no tratamento da amiloidose ATTRh e noutras doenças genéticas graves”, acrescenta.
A descoberta do RNAi venceu o Prémio Nobel da Medicina em 2006 e o seu potencial terapêutico prevê que ultrapasse alguns dos principais obstáculos das terapêuticas atuais, como a dose não frequente, de baixo volume ou subcutânea, o efeito duradouro do fármaco, o potencial de melhoria na eficácia com atividade medicamentosa sustentada e a estabilidade à temperatura ambiente.













